O leite fermentado é o produto da fermentação do leite por fermentos lácteos. Os fermentos lácteos são bactérias que têm a capacidade de transformar a lactose do leite em ácido láctico (fermentação). Existem diferentes tipos de fermentos lácteos e de várias famílias, como por exemplo, os estreptococos, os lactobacilos, lactococos ou as bifidobactérias. Estes fermentos lácteos têm de estar vivos e em grande quantidade no produto final até à data limite de consumo para garantir a suas propriedades activas para a saúde do organismo.
A origem dos leites fermentados remonta a tempos imemoriais, e está provavelmente associada à história da própria civilização e à época em que o homem começou a domesticar animais e a utilizar o seu leite. Ao longo da história surgem várias referências ao leite fermentado, a primeira das quais datada do século II a.C., quando já lhe são atribuídas vantagens para a saúde do homem. Não se sabe exactamente o local de origem do iogurte, porém a maioria dos autores aceita que é originário da região dos Balcãs. Uma versão da origem do leite fermentado tem como cenário o deserto da Turquia onde os pastores armazenavam o leite fresco em bolsas feitas de pele de cabra e atavam-nas aos camelos. O calor do corpo do camelo criava as condições necessárias ao desenvolvimento de bactérias ácidas. O leite transformava-se, então, num produto mais sólido e muito apreciado por este povo. Quando as bolsas ficavam vazias eram novamente cheias de leite sem nunca serem lavadas, o que favorecia ainda mais a ocorrência do processo de fermentação.
Como resultado da interacção entre os povos em virtude de guerras, expedições, relações comerciais, troca de culturas e saberes, o método de produção e consumo de leite fermentado terá sido difundido por outros povos. O consumo tornou-se mais regular à medida que aumentavam quer os conhecimentos relativos aos seus benefícios para a saúde, quer as capacidades tecnológicas para a sua produção. O mais conhecido leite fermentado é o iogurte.
O leite fermentado apresenta uma composição nutricional idêntica à do leite, no que diz respeito às proteínas, à gordura, às vitaminas e aos minerais. Para atenuar a acidez natural dos leites fermentados e facilitar a sua degustação é comum adicionar açúcar, aumentando assim o seu valor calórico.
O teor de lactose do leite fermentado é a principal diferença relativamente ao leite: no leite fermentado é menor, uma vez que foi transformada em ácido láctico durante a fermentação bacteriana.
Esta característica torna os leites fermentados mais fáceis de digerir que o leite, para quem tem intolerância à lactose .
Além das indiscutíveis qualidades nutricionais, os leites fermentados apresentam outras vantagens, que se prendem, principalmente, com a presença de microrganismos vivos na sua composição. Alguns dos microrganismos capazes de produzir leite fermentado são também capazes de sobreviver à passagem pelo nosso tracto gastrointestinal e, dessa forma, podem desencadear acções benéficas no nosso organismo, como por exemplo o reforço do sistema imunitário através da estimulação de agentes defensivos distribuídos por todo o corpo.