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Pré-gravidez

PLANEAR A GRAVIDEZ | PREPARE-SE PARA SER MÃE

PLANEAR A GRAVIDEZ

Idealmente, qualquer gravidez deverá ser planeada. Para além das vantagens práticas óbvias, como a preparação do casal para a chegada de um novo elemento, esse planeamento pode permitir a redução ou eliminação dos poucos factores de risco reprodutivos conhecidos e que podem ser controláveis. Aqui fica uma pequena lista dos aspectos que deve ter em conta:

Consulta pré-concepcional: O objectivo é ajudar o casal a preparar-se para a gravidez e contribuir para esclarecer dúvidas que possam existir.

Doenças maternas: Certas doenças crónicas, como a diabetes, a hipertensão e outras doenças cardiovasculares, podem implicar um risco acrescido, quer para a grávida, quer para o feto. Por isso, devem estar bem controladas antes do início da gravidez. A diabetes, por exemplo —doença que se caracteriza pela existência de níveis elevados de açúcar no sangue — aumenta o risco de defeitos congénitos.

Um controlo estrito dos níveis de açúcar desde o início da gravidez, incluindo o período anterior e posterior à concepção, parece reduzir esses riscos. Outras doenças (a epilepsia, por exemplo) necessitam de tratamentos que são responsáveis também por um aumento de risco para certos defeitos congénitos. Por vezes é possível alterar esses tratamentos (reduzir o número de medicamentos, baixar as doses), pelo menos nos primeiros meses da gravidez. Outra doença muito rara, a fenilcetonúria ou PKU, necessita de um controlo muito apertado da alimentação, de forma a evitar que o aumento de um nutriente (a fenilalanina) cause um aumento de risco de anomalias congénitas para o feto.

Medicamentos: Existem medicamentos comprovadamente teratogéneos (causadores de malformações fetais). Quando se planeia uma gravidez, é importante dar a conhecer ao médico qualquer medicamento que se esteja a tomar para que, restringindo-o ao mínimo indispensável, se possa reduzir qualquer potencial risco, mesmo que desconhecido. Se porventura ocorrer uma gravidez não planeada estando a tomar medicamentos, para a maioria deles não existem riscos demonstrados, pelo que não se justifica a ansiedade que muitas vezes suscitam.

Infecções e vacinas: Algumas infecções podem ser transmitidas ao feto. Infelizmente, para muitas dessas infecções, pouco se pode fazer para evitar a sua ocorrência durante a gravidez. Mas em algumas delas há medidas a tomar para reduzir os riscos. Da avaliação pré-concepcional faz parte a verificação do estado de imunidade para a rubéola, a toxoplasmose e, em certas circunstâncias, o citomegalovírus. Se não houver imunidade para a rubéola, dever-se-á vacinar e adiar a gravidez por dois meses após a vacina.

Não existe evidência, contudo, que a vacina possa afectar o feto. Para a toxoplasmose não existe vacina, mas se não houver imunidade, dever-se-ão evitar as possíveis vias de infecção desde o início da gravidez. A saber: o contacto com gatos ou locais conspurcados por este animal, a ingestão de carne mal passada ou crua (incluindo enchidos e presunto) e a ingestão de legumes crus não desinfectados. Quanto ao citomegalovírus, pouco há a fazer para evitar uma infecção durante a gravidez por parte de mulheres não imunizadas. Contudo, saber que a futura a mãe se encontra imunizada, o que acontece com a maioria das mulheres, permite excluir a possibilidade deste tipo de infecção fetal, se alguns dos seus sintomas forem identificados durante a gravidez.

Quanto a outras infecções que podem potencialmente afectar adversamente a gravidez (infecções urinárias, vaginites, infecções venéreas), dever-se-ão adoptar medidas de higiene geral e efectuar o seu rastreio durante a gravidez.

Gravidezes anteriores: Na maioria das vezes, complicações ocorridas em gestações anteriores não voltam a acontecer. No entanto, esse risco existe em algumas situações. Por exemplo, quando se verificaram vários abortos ou o nascimento de crianças com alguns defeitos congénitos pode ser necessário efectuar alguma investigação suplementar, para verificar a possibilidade de identificar a recorrência do fenómeno durante a gravidez seguinte.

História da família: Algumas doenças relativamente raras, de causa genética, podem ser hereditárias. Em alguns casais é possível identificar, antes da gravidez, um risco acrescido para a ocorrência de algumas dessas doenças no feto ou recém-nascido. Assim, a história familiar relativamente detalhada é determinante e faz parte da avaliação pré-concepcional. Em certas situações, pode ser preciso obter mais informações, podem ser necessários alguns exames laboratoriais relativamente complexos e demorados para que se possa, não só verificar se existe algum risco para a descendência do casal, como também, em algumas situações muito pontuais, programar a possibilidade de diagnosticar a condição em causa no feto — o chamado diagnóstico pré-natal.

Idade: Quanto mais velha for a candidata a mãe, maior é a possibilidade de incidência de qualquer das complicações da gravidez. Por outro lado, também aumenta a possibilidade de padecer algumas das complicações acima referidas, como a diabetes, hipertensão, etc..

Hábitos alimentares: Uma alimentação correcta, equilibrada e variada é um dos factores mais importantes na promoção da saúde. Se os riscos de sofrer complicações durante a gravidez são menores quanto melhor for a saúde da grávida, facilmente se entende por que ter hábitos alimentares saudáveis é tão importante durante a gravidez. Neste período propriamente dito, a única alteração será quantitativa, havendo necessidade de um aumento na quantidade de calorias. Em situações de obesidade, dados os riscos acrescidos de ter complicações, é recomendável a diminuição de peso antes do início, mas não durante a gestação. Para tal, deve pedir-se o apoio e orientação do médico assistente.

Exercício físico: Tal como uma alimentação correcta e equilibrada, a prática regular de exercício físico moderado é um factor positivo para uma gravidez saudável e para o bem-estar da mãe e do feto. Assim, as mulheres que tenham por hábito a prática de uma actividade física não excessiva não deverão abandoná-la durante a gravidez, já que é mais benéfico mantê-la. Contudo, não é aconselhável iniciar práticas desportivas, sobretudo se forem exigentes, durante esta fase.

Álcool, tabaco e drogas: Qualquer uma destas substâncias tem efeitos nocivos na saúde. Como tal, é lógico que também tenham potencial para afectar a gravidez, potenciando algumas das suas complicações mais comuns. Não é conhecido nenhum nível de consumo abaixo do qual não exista risco, por isso é recomendável que as futuras mães se abstenham de consumir qualquer substância deste tipo, seja em que quantidade for. É comum que a própria gravidez seja um estímulo suficiente para que se iniciem processos de interrupção de consumos.

Ambiente: Nos locais de trabalho, por vezes, existe exposição a substâncias químicas que podem ter potencial tóxico a nível reprodutivo. É importante que as mulheres que considerem a hipótese de uma gravidez procurem saber junto das entidades laborais quais as substâncias químicas a que se encontram expostas. Devem depois tentar saber, com a ajuda do médico assistente, se existem de facto riscos reprodutivos conhecidos por exposição a essas substâncias. Se for o caso, as empresas deverão tentar minimizar a exposição dos seus funcionários aos agentes tóxicos ou, se o efeito se verificar sobretudo a nível reprodutivo, estas deverão ter flexibilidade para deslocar, mesmo que temporariamente, as funcionárias que estejam considerando uma gravidez para funções diferentes, de forma a contribuir para a promoção de melhores condições.

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PREPARE-SE PARA SER MÃE

Existirá alguma forma de nos prepararmos para a maternidade? Uma escola de mães, um curso intensivo, livros escritos por especialistas, revistas? Sem dúvida que sim. Mas nenhum deles substitui a capacidade de cada mulher e o seu instinto para se tornar numa mãe preparada para tudo.

As mulheres estão preparadas para ser mães muito antes da gravidez. A maternidade faz parte do arquétipo feminino e não há menina que não tenha brincado às bonecas ou embalando um Nenuco, dando asas a um instinto que é inato e espontâneo. A preparação para a maternidade tem, por isso, muito mais a ver com a logística do que com os afectos. E se é verdade que depois de ser mãe a vida nunca mais é a mesma, é igualmente verdade que a preparação não é feita à priori — como quem se prepara para um exame ou para um teste — mas pouco a pouco, no dia-a-dia, adaptando as rotinas ao novo ser que enche a casa.

Ser mãe implica, antes de mais, dedicação e disponibilidade. Por isso, se está habituada a viver sem horários, a tomar decisões de última hora ou a ficar no escritório até às tantas da noite, prepare-se para uma reviravolta total. A partir do momento em que for mãe, os horários passarão a ser em função do bebé. Isto não significa que tenha de haver horas para tudo, mas não há dúvida que terá de estar disponível não só para as rotinas, como para os imprevistos que surgem sem hora marcada.

As decisões de última hora, por outro lado, deixam de ser possíveis. Decidir um fim de semana de véspera, partir para férias sem nada marcado ou ir ao cinema daí a meia hora tornam-se oportunidades cada vez mais raras e é necessário planear uma série de coisas antes de poder sair porta fora. Quanto ao trabalho, dificilmente quererá ficar a fazer horas extraordinárias. E mesmo que às vezes pareça impossível conciliar a vida profissional com a vida familiar, é fundamental encontrar um equilíbrio justo para ambas as partes. A maternidade não implica que tenha de desistir da sua carreira profissional — muitas mulheres adiam o nascimento dos filhos por causa disso —, mas tem de estar preparada para alterar as prioridades, se isso vier a ser necessário.

É que preparar-se para ser mãe implica, também, preparar-se para viver em função de outro ser a cem por cento, pelo menos durante uns bons anos. Ou seja, significa estar disponível 24 horas por dia. Teoricamente, a ideia pode parecer exagerada. Mas, por exemplo, se acha que durante os meses da licença de parto vai ter tempo para fazer coisas que tem pendentes há anos, esqueça porque o mais provável é que também não consiga fazê-las agora. Porque, na prática, com as coisas que tem para fazer em casa, os cuidados com o bebé e o tempo de descanso (que também precisa!), não vai achar tão fácil gerir o seu tempo. No entanto, não desanime porque o que vai querer é estar com o seu bebé e tudo o resto passará a ser secundário.

É verdade que a disponibilidade tem de ser maior nos primeiros meses, ou mesmo nos primeiros anos de vida. Mas não tenha ilusões de que quando eles crescerem, já não vai ser necessária... Ser mãe é muito mais do que ter tempo para dar banho, dar de mamar, mudar fraldas ou contar uma história. Ser mãe é um estado de espírito, uma luz que se liga e que não são se desliga quando queremos dormir; é um compromisso para o resto da vida. Há muitas mulheres que não imaginam até que ponto a maternidade lhes vai mudar o rumo da vida, a opinião que têm sobre certos assuntos, a forma de estarem no mundo, por vezes até as convicções mais profundas.

Por mais preparadas que estejam, por mais que leiam sobre o assunto, que perguntem às amigas que já foram mães, que frequentem escolas de pais, só vão descobrir verdadeiramente o que é a maternidade quando tiverem o seu primeiro filho. É, por isso, importante que saibam que a maternidade não é sempre e só um mar de rosas. Ser mãe, por vezes, é muito difícil. Ser mãe gera ansiedades, por vezes remorsos e culpa. Ser mãe exige uma energia que nem sempre sabemos onde vamos buscar. Uma capacidade constante de reinventar o mundo e as coisas, uma paciência de santa! Ser mãe tira tempo para gastar consigo, obriga a fazer concessões, a medir prós e contras. Ser mãe até chega a tirar o sono. Faz passar horas e horas a pensar em soluções para vários assuntos, a procurar a melhor escola, a reorganizar o dia-a-dia...

Outro aspecto que raramente temos em conta antes de sermos mães é como será o futuro da relação com o pai do bebé, agora que a dupla amorosa passou a triângulo. Achar que um filho vem fortalecer, cimentar e adoçar as relações de um casal pode ser um engano terrível, pois nem sempre é assim. É evidente que, se o bebé tiver sido planeado e desejado pelo pai e pela mãe, as condições para que a história seja feliz serão maiores. Mas é ajuizado contar com o desgaste que a chegada de um filho provoca. Contar com o cansaço das noites em branco, com as solicitações constantes de quem depende dos outros para fazer o que quer que seja, com a gestão dos ciúmes que um terceiro elemento provoca. Muitos casais estão convencidos que a vinda de um filho completa a felicidade e os planos que fizeram para o futuro. E não há dúvida que isso é verdade. Mas precisam de se convencer que também haverá dias em que a pressão vai ser maior, dias em que vão discutir o que cada um fez ou deixou de fazer, momentos em que lhes podem sentir que aquele filho se meteu entre os dois e que nada, na relação, voltou a ser como era.

Pois é, as relações mudam quando temos um filho. Preparar-se para a maternidade é, assim, preparar-se também para encarar a relação desde outro ponto de vista. O que não significa ter de abdicar do amor, dos momentos a sós, da cumplicidade, dos compromissos. Apenas é necessário estar preparado para olhar para tudo de outra maneira. Os casais com relações estáveis e bem estruturadas raramente se abalam com a vinda de um filho.

Finalmente, preparar-se para ser mãe é, acima e antes de tudo, preparar-se para amar sem condições. Para dar, para partilhar, para cantar canções de embalar, para ter colo, braços e mãos para os filhos, para os ensinar a crescer da melhor forma possível, para os ouvir, para os saber mandar calar quando é preciso... e para os tornar pessoas felizes.

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