ENTRADA NA ESCOLA
O regresso às aulas sem tensões
Para muita gente, é impensável mandar uma criança para o primeiro ano sem lhe dar algum tipo de «vantagem». Isto é, tentar antecipar a aprendizagem que ela vai iniciar. Algarismos, números, fichas e mais fichas enchem as malas de férias, para que o menino ou a menina (em especial se não frequentou o ensino pré-escolar) não «vá em branco». E a meta traçada é bem clara: aprender a ler e a escrever o mais depressa possível, de preferência mesmo antes de terminar o primeiro período.
Nuno Cortes é professor do Primeiro Ciclo do Ensino Básico – antigamente conhecido por Escola Primária – e em todas as alturas que lecciona primeiros anos depara-se «com famílias que me dizem que o menino passou as últimas semanas a preparar-se para a escola, que já sabe todas as letras, muitas palavras e muitos números. E que foram os próprios pais a ensiná-lo». O professor não aponta o dedo a ninguém - «é evidente que é uma atitude que demonstra que os pais se preocupam e estão empenhados em que a criança entre na escola com o ‘pé direito» - mas vai alertando para possíveis consequências desta «avalanche».
Mais do que moldar-se às novas circunstâncias, a entrada de uma criança para a «escola verdadeira» é um verdadeiro ritual. Segundo a terapeuta familiar Catarina Mexia, este momento «acontece a toda a gente» e marca a passagem de «uma situação em que a família nuclear é a detentora do conhecimento e onde o poder dos pais raramente é posto em causa, para uma nova conjuntura em que uma figura, o professor, tem a capacidade de colocar em causa o monopólio parental de autoridade, comportamentos, valores e normas».
O que algumas famílias não compreendem é que, no afã de afastarem as dificuldades iniciais das suas crianças, ou preencherem supostas lacunas estão, por vezes, a criar novas dificuldades. Nuno Cortes dá um exemplo. «Não é raro que um aluno do primeiro ano, que chega à escola com um nível de leitura, escrita ou capacidade matemática superior aos dos restantes colegas, se vá desmotivando ao longo das semanas, porque quase nada do que é abordado na aula é novidade para ele. Mas é benéfico que as crianças se sintam bem integradas no corpo vivo que é a sua turma. Elas não gostam de se destacarem.»
Felizmente que as situações de guerrilha entre a família e a escola contam-se pelos dedos. Muito mais comuns são as situações em que a primeira rema numa direcção e a segunda numa direcção diferente. «Por muito calmo que um pai ou uma mãe aparente estar no início do ano lectivo, a ansiedade está sempre presente. E, por vezes, temos muitas dificuldades em fazer passar a mensagem de que estamos cá para ajudar em tudo, para dialogarmos com as famílias e também, certamente, para sermos questionados quando for necessário. Os professores também aprendem muito nesta fase», afirma Nuno Cortes.
«Existe um ponto que os pais têm de ter sempre presente: eles são os peritos em tudo o que diz respeito ao seu filho e um professor que mostre interesse em saber como a família está a encarar a entrada na escola e se mostre disposto a ajudar não está a ser intrometido nem é o inimigo. Ele também quer o melhor para a criança e está disposto a conhecê-la em profundidade.» Palavras de Catarina Mexia, que ecoam na experiência relatada por Nuno Cortes. «Cada família apresenta um desafio diferente, mas não vejo as que se lançam em grandes esforços – por vezes mal direccionados – como invasivas. Até porque, na esmagadora maioria dos casos, são receptivas ao que temos a dizer e, durante o ano lectivo, consegue-se chegar a uma situação de equilíbrio benéfica para a criança», adianta o professor, para quem é fundamental que pais e escola mostrem uma «frente unida».
E como é que isso se consegue? «Com comunicação, profunda e permanente. A primeira reunião com os pais é decisiva. Procuro que fiquem informados em profundidade sobre a realidade que o filho vai encontrar: projecto educativo, rotinas, programas, metodologias, corpo docente etc., e que entendam que temos um objectivo comum centrado no bem-estar da criança», revela Nuno Cortes. No outro lado da moeda estão «as perguntas que todos deveremos fazer uns aos outros, para que nada fique por dizer e nenhuma dúvida ou mal-entendido subsistam. A melhor forma de ajudar uma criança que inicia o primeiro ano é procurar saber exactamente o que ela e a família vão encontrar na nova escola e estar preparados para se adaptar aos desafios que surgem todos os dias», conclui.
Atrasar a entrada no pré-escolar tem poucas vantagens
Adiar a entrada das crianças no ensino pré-escolar, com o objectivo de proporcionar vantagens académicas, parece não ter resultados palpáveis, indica um estudo da Universidade do Illinois, nos Estados Unidos. Os investigadores chegaram à conclusão de que não só os colegas mais novos recuperam rapidamente eventuais atrasos na aprendizagem, como os mais velhos ficam permanentemente ‘atrasados’ até ao final da escolaridade, com consequências indesejáveis na entrada na faculdade e/ou no mercado laboral.
Os resultados da pesquisa indicam que as crianças mais velhas parecem aprender mais e melhor nas primeiras semanas de pré-escolar «porque têm oportunidade de adquirir mais conhecimentos e competências antes de entrarem para a escola e não porque a idade, por si só, aumenta as aptidões académicas», tal como afirma Darren Lubotsky, um dos cientistas envolvidos no trabalho. As supostas vantagens de um início tardio no pré-escolar vão-se desvanecendo e tornam-se virtualmente indetectáveis durante o primeiro ciclo do ensino obrigatório. Lubotsky afirma que os pais devem considerar atrasar o início do pré-escolar se considerarem a criança imatura. No entanto, defende que esta seja uma opção tomada após uma longa ponderação: «Entrem mais tarde ou mais cedo, o importante é que as crianças estejam preparadas para desfrutarem totalmente da aprendizagem.»
Por uma escola melhor
Os pais podem intervir na educação escolar dos filhos, contribuir para uma escola melhor. E muitos fazem-no. Organizam-se, gastam tempo, criam ATL, refeitórios, pintam paredes...
As famílias podem unir forças para resolver os problemas que afectam a aprendizagem dos filhos. «Há vários graus de intervenção dos pais no universo escolar», explica Albino Almeida, presidente da Confederação Nacional da Associação de Pais (CONFAP).
Os progenitores podem contribuir indirectamente, fazendo parte de conselhos municipais de educação ou de segurança, comissões locais de Acção Social ou das Comissões de Protecção de Jovens em Risco. Ou assumir um envolvimento directo, integrando as associações de pais ou os órgãos de gestão onde os pais têm assento por lei, como o Conselho Geral ou Pedagógico. E mesmo aqueles que não fazem formalmente parte de nenhum destes organismos, podem sempre colaborar e participar nas iniciativas da escola e da associação de pais. «Colocámos um papel na escola a informar que iríamos pintar a escola e no primeiro fim-de-semana foi um sucesso, éramos entre 20 a 25 pessoas», conta Maria Manuela Costa.
Os pais são um elemento fundamental à escola. «É impensável ponderar que um processo educativo possa decorrer além das famílias», comenta João Gancho, presidente da Associação Nacional de Professores. «Na escola, nem os professores podem ser meros prestadores de serviços, nem os pais podem encarnar o papel de clientes. Tem de haver pontos de entendimento e espaços de intervenção da família na escola», diz.
Mas apesar dos bons exemplos, no dia-a-dia, na realidade, trazer os pais à escola nem sempre é fácil. O presidente da CONFAP divide estes pais entre os que «querem, mas não podem participar» e os que «não querem colaborar». E dirige as suas acções para ambos os grupos, pressionando os Governos «para que a lei defina de forma muito clara a articulação entre o mundo laboral e as escolas», a pensar nos primeiros. Ou dando formação e trabalhando em parceria com organismos como o Instituto de Apoio à Criança e as comissões de protecção de menores, autarquias, para melhorar as condições socio-económicas com que muitos desses pais ausentes se debatem.
O que diz a lei
Os pais têm direito a ausentar-se do trabalho até quatro horas por trimestre para ir à escola por motivos relacionados com a educação dos filhos. As faltas são justificadas, de acordo com o definido pela última revisão do Código do Trabalho, Lei 7/2009, de 12 de Fevereiro, no artº 249º, n.º 2, alínea f) e podem ser compensadas. Mas para o presidente da CONFAP, Albino Almeida, a lei portuguesa é ainda claramente insuficiente. «Há uma lei do voluntariado, mas não está regulamentada. E é preciso legislar para que as pessoas consigam conciliar o emprego com a integração em associações de pais, conselhos municipais, etc», diz.
1/3 dos jovens tem excesso de peso
Quase 14 por cento dos jovens portugueses são obesos, 18 por cento situa-se na pré-obesidade e um em cada três tem excesso de peso. A dramática situação foi revelada pelo Estudo Nacional de Obesidade Infantil que avaliou 3.847 crianças do 1.º Ciclo do Ensino Básico de 185 escolas, constituindo uma amostra representativa a nível nacional. Deste número 47,9 por cento pertencem ao sexo feminino e a média de idades é 7,5 anos. Os resultados mostram que em média os rapazes são mais altos e mais pesados: uma relação de 122,4 cm/26,6kg nas raparigas e 124,3 cm/27,3kg nos rapazes, e que o excesso de peso é maior no sexo masculino, 32,9 por cento contra 31 por cento nas raparigas. Estes resultados têm como base o Índice de Massa Corporal, de acordo com as tabelas do Center for Diseases Control and Prevention norte-americano.
Em termos de distribuição geográfica, os Açores apresentam uma maior prevalência de pré-obesidade e obesidade, com valores a rondarem os 21 por cento em cada um dos critérios. Do lado oposto é a região do Algarve que tem a menor prevalência com valores de 10,7 por cento para a pré-obesidade e de 6,8 por cento para a obesidade. A obesidade infantil é a pandemia do século XXI a nível mundial e todos os anos surgem 400 mil novos casos. Ao todo estima-se que existam 45 milhões de crianças com excesso de peso.
Fast-food pode ditar maus resultados escolares
Os resultados, divulgados na edição electrónica do jornal “Daily Telegraph”, são de um estudo da Universidade de Vanderbilt. Os investigadores relacionaram a ingestão de comida pronta, como hambúrgueres e batatas fritas mais do três vezes por semana, com maus resultados em testes escolares realizados com crianças que frequentam o ensino básico.
Ao todo foram analisadas 5.500 crianças, com uma média de 11 anos de idade. Verificou-se que as crianças que consumiam comida rápida mais do que três vezes por semana apresentavam, em testes de leitura e de matemática, pontuações cerca de 16% piores do que as que não faziam aquele tipo de alimentação. Este resultado verificou-se independentemente de factores como os rendimentos dos pais, a raça ou o peso. Um dos investigadores responsáveis pelo estudo menciona que é possível que este tipo de comida possa causar dificuldades cognitivas que se traduzem em piores resultados nos testes. Contudo, o cientista refere que serão necessários mais estudos que confirmem esta co-relação.
Bullying: que crianças são mais vulneráveis?
As implicâncias no recreio são um rito de passagem, mas para algumas crianças este fenómeno agrava-se, transformando-se em episódios de violência e abuso. Cientistas da Universidade do Quebec, no Canadá, estimam que um em cada dez alunos é vítima de perseguição em meio escolar e elaboraram um estudo que sugere que o risco de ser alvo de bullying depende de condições que surgem cedo. Os investigadores encontraram alguns factores-chave que podem levar à vitimização, sendo que um deles, curiosamente, centra-se num historial de comportamento agressivo da própria criança na primeira infância.
«No período pré-escolar existe muita violência física entre pares», afirma Michel Boivin, um dos autores do trabalho. No entanto, à medida que o tempo passa, as crianças adaptam-se socialmente e adquirem as ferramentas verbais que lhes permitem negociar pacificamente no interior do grupo. «A agressão fica cada vez mais secundarizada como modo de resolver as coisas». No entanto, existem crianças que «são incapazes de evoluir nesta direcção e a agressão acaba por se virar contra eles», revela Boivin, que acrescenta: «quando entram para o primeiro ciclo, lentamente transformam a sua agressividade em incapacidade social e timidez». Daí a tornarem-se alvos de bullying pode ir um passo. Métodos parentais excessivamente severos e debilidades sócio-económicas também podem contribuir para a vitimização.
Crianças mais inteligentes
Uma alimentação correcta leva ao bom funcionamento do cérebro, potenciando as capacidades da criança ou do adolescente. Quem o defende é o nutricionista britânico Patrick Holford, autor de "Alimentação Ideal para Crianças Inteligentes".
O bom funcionamento deste órgão está directamente relacionado com o quociente de inteligência (QI) elevado, um comportamento escolar exemplar ou uma memória afinada. Mas a estrutura do cérebro é determinada geneticamente e por essa razão é inalterável, garante o especialista que realça contudo que o que lhe é fornecido como alimento, em conjunto com o que aprende, contribui para o seu desenvolvimento. Por isso a nutrição ideal depende de determinados alimentos: em primeiro lugar, o equilíbrio de açúcar no sangue, o "supercombustível do cérebro".
Segundo o especialista devem evitar-se os hidratos de carbono refinados, ou de absorção rápida, como bebidas gasosas, bolachas ou até pão branco com compota, já que fazem disparar os níveis de açúcar no sangue, levando a uma grande quebra de energia. Para Patrick Holford podem substituir-se por hidratos de carbono complexos, ou de absorção lenta, como os cereais integrais, os vegetais e os feijões.
O nutricionista defende que os ácidos gordos essenciais, fundamentais para o cérebro, têm uma enorme importância quando o que se pretende é tirar todo o partido das capacidades cognitivas. Os ómega 3 e ómega 6 promovem a saúde mental, já que a carência pode resultar em depressão, dislexia, hiperactividade com défice de atenção, fadiga, problemas de memória e mesmo autismo. O especialista lamenta a actual "fobia às gorduras", que classifica de boas e más, garantindo que as boas – os ómega, devem ser consumidas sem receio. E estas são: as sementes de linhaça, de cânhamo e de abóbora, assim como o salmão, o arenque e a sardinha de ómega 3. Quanto aos ómega 6: as nozes, milho, sésamo, óleo de onagra e sementes de groselha preta.
Holford garante que as gorduras presentes no peixe, ovos, carne de órgãos (como fígado) e lecitina derivada de soja - melhoram o humor e o desempenho mental. Já a carne, os lacticínios e as lentilhas devem ser consumidos em todas as refeições de acordo com o especialista. Os aminoácidos, fornecidos pelas proteínas, são considerados "os pilares da vida" e têm grande importância na criação de novos neurotransmissores que estão presentes nestes alimentos.
Por fim a ingestão de vitaminas e minerais têm um papel-chave na construção e reconstrução do cérebro e do sistema nervoso, assegura Holford considerando que os nutrientes mais importantes para o cérebro são as vitaminas B1, B3, B5, B6, ácido fólico e B12, e o magnésio, o manganês e o zinco.
Tipo de ligação com educadores determina níveis de stress
A forma como as crianças são afectadas pelo stresse no ambiente pré-escolar depende não apenas das características do educador ou da turma, mas também da natureza dos laços estabelecidos entre cada menino e o seu ‘professor’. A teoria é defendida por cientistas de quatro universidades norte-americanas, os quais estudaram os níveis da hormona cortisol – a principal substância relacionada com o stresse – em 191 crianças que frequentavam o jardim-de-infância durante todo o dia. Habitualmente, o cortisol apresenta níveis elevados logo pela manhã, diminuindo ao longo do dia.
No entanto, o estudo revelou que as crianças mais dependentes do educador aumentam os níveis hormonais durante o decorrer do dia. Por sua vez, as que mantêm relações difíceis com os adultos responsáveis tendem a apresentar picos de cortisol em ocasiões específicas: resistência a ordens, percepção de inimizade ou frustração pontual. De acordo com o artigo, publicado na revista Child Development, o aumento anormal da «hormona do stresse» é preocupante porque o excesso de cortisol (durante largos períodos) pode ter consequências negativas, tais como a perda de massa muscular, acumulação de gordura, fragilidade do sistema imunitário e dificuldades de memória e aprendizagem.
Crianças mais independentes são também mais activas
As crianças em idade escolar a quem são dadas mais oportunidades para andarem na rua sozinhas, sem supervisão de adultos, possuem capacidades e níveis de actividade física superiores às que não têm essa liberdade. «Os pais estão cada vez mais relutantes em deixar os filhos ‘à solta’ – por exemplo na ida para a escola, para as actividades extra-curriculares ou para casas de amigos – com receio de que possam ser vítimas de acidentes ou abusadas. Mas essa opção pode sair caro em termos fisiológicos», adverte Angie S. Page, líder de uma equipa de investigadores da Universidade de Bristol (no Reino Unido) que se dedicou a analisar a relação entre a autonomia infantil e a capacidade física, observando os hábitos de mais de 1300 famílias. «A pesquisa demonstra que as crianças com grande mobilidade independente interagem mais com outras crianças e os seus ambientes de estudo e lazer», afirma a cientista.
Em contrapartida, «as crianças controladas em excesso na sua independência caem mais facilmente em comportamentos sedentários, com o correspondente risco de obesidade», acrescenta. O estudo revelou ainda que aos rapazes é dada mais liberdade de movimentos que às raparigas da mesma idade. As conclusões, publicadas no International Journal of Behavioral Nutrition e Physical Activity «deveriam encorajar os pais a fazerem o exercício de equilibrarem a angústia e a liberdade que dão aos filhos, a bem da saúde dos últimos», conclui Angie S. Page.
PAIS DO NOSSO TEMPO
A falta de estudos sobre a nova geração de pais levou a socióloga do ISCTE Rita Veloso Mendes a procurar, entre os jovens, as razões que conduzem um homem à paternidade. A investigadora descobriu três tipos de pais: o «pai-formiga», o «pai-galinha» e o «pai-galo». Em comum há a vontade de passar tempo com os filhos e de os ver crescer.
Pegando no lugar-comum da «mãe-galinha» e considerando as características de determinados animais, Rita Veloso Mendes dividiu os entrevistados em três grupos: o «pai-formiga», o «pai-galinha» e o «pai-galo».
O «pai-formiga» é o mais novo de todos, o menos escolarizado e o que mais horas trabalha por dia. Em muitos casos, vive uma situação de duplo emprego. A paternidade, regra geral, surgiu de forma inesperada e o bebé representa agora um acréscimo grande das despesas familiares, explica Rita Veloso Mendes. Para dar resposta a essa necessidade, o pai passa muito tempo fora de casa, em empregos pouco diferenciados e mal recompensados. Apesar de olhar para o filho como um bem precioso, a verdade é que este pai não tem tempo para o ver crescer. Todo o tempo que tem é para trabalhar. Assim sendo, gozar os dias de licença de parto a que tem direito é assunto que nem se põe, dada a precariedade e insegurança laborais.
O «pai-galinha» é o pai «modelo». Um pouco mais velho que o anterior – entre 26 e 30 anos -, dedica-se de corpo e alma aos filhos. Vai buscá-los à escola, leva-os ao médico, dá-lhes de comer, preocupa-se com a higiene, com as roupas, passa tempo de qualidade com eles. Divide as tarefas domésticas com a mãe e chega a prescindir da carreira para estar com a família. Rita Veloso Mendes encontrou dois casos destes: «Um dos homens fez aquilo a que chamamos um downsizing – optou por uma posição profissional inferior àquela em que estava para poder passar mais tempo com os filhos. Pelas mesmas razões, um outro adiou a progressão na carreira, mantendo-se no mesmo posto.» Obviamente, o «pai-galinha» goza todos os dias de licença de paternidade que a legislação prevê. E mais quantos pudesse.
O «pai-galo» é o mais velho de todos, já passou a fasquia dos 30. Dos três, é o pai mais contraditório. Afirma que é importante participar plenamente na vida dos filhos, mas, na prática, não se esforça muito por isso. «É o homem que defende uma paternidade activa, mas que não se levanta de noite quando o bebé chora nem dá banho aos filhos», afirma Rita Veloso Mendes. Revela, portanto, comportamentos «um pouco mais conservadores» que chocam de frente com as afirmações «politicamente correctas» que profere sobre a dinâmica da família moderna. A socióloga avança que, por detrás destas declarações, poderá estar a «pressão da sociedade». Na verdade, o «pai-galo» partilha uma visão tradicionalista da família. À mulher cabe, sobretudo, o cuidar dos filhos, ao homem a carreira profissional.
Ligação com os avós importante para crianças de famílias monoparentais
Manter uma estreita ligação com os avós dá às crianças – em especial as que vivem em famílias monoparentais – capacidades sociais reforçadas e pode salvaguardá-las de problemas comportamentais futuros, em especial na adolescência. De acordo com a American Psychological Association, as crianças cujos pais se separaram ou divorciaram vêem os avós como confidentes e fontes de conforto e segurança. «Os avós são uma força positiva em todas as famílias e desempenham um papel significativo nas famílias que atravessam dificuldades», afirma o catedrático da Universidade de Jerusalém Shalhevet Attar-Scwartz, adiantando: «eles podem reduzir a influência negativa da separação dos pais e ser um recurso importante em tempos incertos e de mudanças».
Uma equipa de investigadores entrevistou cerca de 1500 crianças britânicas sobre o grau de intimidade que mantinham com os avós, para determinar se essas relações tinham um efeito visível nas capacidades emocionais e comportamentais infantis. As conclusões deste trabalho indicam que quanto mais fácil era o diálogo com os avós sobre actividades sociais e escolares, o pedido de conselhos ou o apoio financeiro moderado, menos problemas de socialização tinham os netos. E, em confirmação de estudos anteriores, os psicólogos confirmaram que, em circunstâncias
MEDIDAS DE PREVENÇÃO PARA A GRIPE A
Duas a oito horas é o tempo que o vírus da gripe A, o H1N1, consegue permanecer activo em superfícies. É esta a razão que leva o Departamento de Saúde Pública, da Direcção-geral de Saúde, a recomendar que os portugueses tenham cuidados redobrados na lavagem das mãos para evitar o contágio. Este processo para ser eficaz deve ser feito com água e sabão em abundância, durante 20 segundos, pelo menos, e em particular depois de se tossir ou espirrar. Em alternativa, pode usar-se toalhetes à base de álcool. As superfícies ou objectos mais sujeitos a contacto com as mãos devem ser limpos frequentemente com um produto de limpeza comum. Mesas de trabalho, ratos e teclados de computador ou maçanetas são superfícies sujeitas a um contacto manual muito frequente por isso é necessário mantê-las limpas.
Mas existem outras recomendações para prevenir a gripe A: evitar o contacto próximo com pessoas com gripe; se uma pessoa ficar doente deverá permanecer em casa e contactar a Linha Saúde 24, através do número 808 24 24 24. Se um doente com sintomas de gripe tossir ou espirrar, deve cobrir a boca e o nariz com um lenço de papel para impedir que outras pessoas venham a adoecer.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças não recomenda o uso de máscaras na protecção contra o contágio de gripe por não estar provada a sua eficácia. O uso de máscaras está apenas indicado no contexto da prestação de cuidados de saúde. Pelo contrário, o uso de máscaras por pessoas doentes com sintomas de gripe pode ajudar a reter as secreções respiratórias quando tossem ou espirram. Nestes casos poder-se-á reduzir o risco de contágio.
INTERNET
Pesquisas Seguras
Na escola cada vez mais os alunos têm «trabalhos de pesquisa na Net». Com todas as vantagens que esta pesquisa envolve, a procura de temas e sites na Internet pode representar um perigo real para os computadores, sobretudo quando efectuada por utilizadores sem preocupações e conhecimentos básicos de segurança.
Endereços errados, sites que se fazem passar pelo que não são e software malicioso escondido no endereço aparentemente mais seguro, pronto a entrar num computador mais vulnerável, são ameaças bem reais que convém não esquecer.
A primeira regra a seguir é instalar um bom software antivírus, de preferência com sistema de avaliação de sítios na Internet – durante a navegação fornece a indicação se um site é fidedigno, ou não, através de ícones no browser ou em listas de resultados das pesquisas. Se tiver mais que um computador em casa, opte pelas versões com duas ou três licenças, cujos preços começam normalmente à volta dos 40 euros.
A segunda regra a aplicar quando uma criança faz pesquisas na Internet é utilizar um bom motor de busca – o Google ou o Bing, por exemplo – dando preferência a este método face à escrita de um endereço específico no browser. E isto porque um qualquer erro de escrita na zona do endereço poderá levar a sites menos aconselháveis, que exploram normalmente esses erros para tentar infectar os computadores que inadvertidamente os visitam, ou para levar o utilizador a outros endereços com software malicioso, por exemplo. Segundo um relatório recente da IBM, denominado X-Force, o número de ligações maliciosas na Internet aumentou cerca de 500 por cento durante o primeiro semestre de 2009, algumas delas mesmo a partir de sites até há pouco tempo tidos como seguros.
Educar os mais novos para regras básicas de segurança durante pesquisas na Internet torna-se assim essencial para evitar dissabores.
E alguns procedimentos aparentemente simples e ineficazes – usar um programa antivírus e fazer pesquisas usando um motor de busca de
eficiência comprovada – poderão ser o ponto de partida para hábitos de navegação mais seguros.
EDUCAÇÃO
Escrita criativa
Muitas são as crianças que logo rapidamente perdem o entusiasmo da leitura e sobretudo não revelam qualquer interesse para escrever.
Por preguiça, por falta de imaginação. Com a ajuda da escrita criativa tudo pode mudar.
Margarida Fonseca Santos, uma das autoras do livro «Quero ser escritor - um manual de escrita criativa para todas as idades» orienta ateliês de escrita criativa com crianças, adultos e professores. Optimista, garante que «o segredo é ensinar as crianças a procurar o prazer da escrita e a encontrar o lado lúdico da criatividade. E isso faz-se brincando, através de exercícios estimulantes em que elas descobrem como é divertido procurar novas soluções». Expressões como «não tenho imaginação, não tenho nenhuma ideia, não gosto de escrever, estou bloqueado» ficam à porta de uma sessão de escrita criativa. O que importa não é o produto final, mas sim o trajecto efectuado, o vocabulário descoberto e o imaginário explorado. O que se pretende é que a criança se sinta motivada para continuar a escrever e que queira sempre melhorar. Tudo isto polvilhado com muita alegria. São propostos constrangimentos que as obrigam a desviar-se do óbvio e encontrar novas soluções, ginasticando inúmeras capacidades. Margarida exemplifica: «se proibirmos o uso de uma letra, por exemplo o u, deixamos de ter formas verbais no passado e não podemos usar ‘ques’. Os miúdos costumam dizer: nem podemos começar com o era uma vez!». Estes jogos distraem as crianças do objectivo final, ao mesmo tempo que desafiam a sua imaginação. E os resultados são sempre inesperados.
Luís Mourão, professor na Escola EB1 da Várzea (Leiria), enredou-se no «interessante e provocador» mundo da escrita criativa há mais de 20 anos. Com os seus alunos experimenta exercícios «com a dominante comum de serem jogos, terem regras, diversão e serem fonte de prazer e alegria. As crianças gostam imenso de trabalhar assim e eu desconfio que já não sei, nem quero, trabalhar de outra forma», confessa. As hipóteses são infindáveis: escolher cinco letras e descobrir quantas palavras se podem escrever com elas, sem deixar nenhuma de fora; construir um texto em que cada uma das crianças só pode usar vinte letras e logo a seguir passa a história a outra; contar uma história completa apenas com 50 palavras… inspirações irresistíveis para novas histórias.