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AS PRIMEIRAS PALAVRAS | OS PRIMEIROS PASSOS | TRUQUES PARA TOMAR REMÉDIOS | CAIXINHA DE MEMÓRIAS | AMIGOS INSEPARÁVEIS | UTILIDADES

AS PRIMEIRAS PALAVRAS

De simples ouvintes passam, em poucos meses, a tagarelas com um vocabulário interminável. Contudo, aprender a falar não é fácil e algumas crianças passam mesmo por algumas dificuldades. Conheça as principais causas de atrasos na aprendizagem da fala e os sinais de alarme que devem levar os pais a procurar acompanhamento especializado.

A linguagem representa uma das principais características dos seres humanos. Através do uso da fala podemos comunicar uns com os outros. Para a criança, que está a crescer em corpo e em desenvolvimento intelectual, a fala vai sendo aprendida aos poucos e representa uma forma fundamental de contacto e interacção com o mundo. E uma forma fundamental de comunicação com aqueles que a rodeiam, principalmente os seres mais próximos, como são os pais. Para estes, o desenvolvimento das capacidades de comunicação do seu filho ou filha representam uma grande evidência de que a criança se está a desenvolver correctamente. De uma forma geral, o crescimento do corpo (peso, altura, perímetro cefálico), as aquisições motoras mais grosseiras (segurar a cabeça, sentar, gatinhar, andar) e o desenvolvimento da linguagem, representam os três grandes pilares do desenvolvimento infantil mais facilmente perceptíveis pelos pais. Por esta razão são tão frequentes as perguntas e tão constante a ansiedade de alguns casais quando pressentem (muitas vezes sem razão) que algo não está a correr bem.

Linguagem não é só falar

A linguagem falada representa, assim, uma das principais características dos seres humanos e a sua principal forma de comunicação. A sua aprendizagem é complexa e demora o seu tempo. Para que seja completa é necessário que três estruturas estejam a funcionar normalmente:
1 – As vias sensoriais (audição e visão). Não é difícil perceber que sem elas é mais difícil a criança aprender a falar. A criança necessita de ouvir e ver para mais facilmente aprender a falar.
2 – Zonas cerebrais responsáveis pela fala. Estas zonas são capazes de perceber aquilo que está a ser dito à criança e de originar os estímulos nervosos necessários para a produção dos sons.
3 – Zonas vocais, responsáveis pela articulação dos sons, como as cordas vocais, boca, língua, lábios, palato. São os órgãos efectores, responsáveis pela emissão dos sons.Todas estas zonas devem estar sãs para que a criança tenha um normal desenvolvimento da sua capacidade de entender e de se exprimir através da fala.

Se alguma destas estruturas estiver doente, a criança pode apresentar um atraso no desenvolvimento da linguagem.

É um problema frequente?

É difícil contabilizar o verdadeiro número de casos de atraso da linguagem. Em primeiro lugar, como veremos mais à frente, porque muitos casos não são verdadeiros atrasos, mas sim variações dentro do que se pode considerar normal. Por outro lado, muitos destes atrasos são passageiros e transitórios, acabando por desaparecer espontaneamente ou com acompanhamento adequado.

De qualquer forma, estima-se que a incidência de problemas do desenvolvimento da linguagem seja razoável. Podem ter algum tipo de problema até 8% das crianças em idade pré-escolar e até 1% das crianças em idade escolar.

O que provoca um atraso na linguagem?

As causas de atraso do desenvolvimento da linguagem são muitas. Qualquer livro de Pediatria é capaz de revelar mais de 50 causas possíveis. Mas de uma forma bem mais simples e compreensível, podemos agrupar as principais causas para uma criança ter um atraso na linguagem em seis grupos.

Causas mais frequentes de atraso da linguagem
• Problemas motores;
• Problemas da audição;
• Problemas psicológicos ou psiquiátricos;
• Carência afectiva grave;
• Deficiência mental;
• Perturbação específica da linguagem.

É bastante óbvio que uma criança com problemas motores da face, da boca, da língua, palato, dentes ou lábios, não possa articular correctamente os sons. Da mesma forma, uma criança com problemas de audição, é incapaz de repetir sons ou memorizar vocabulário. Estas duas causas são geralmente fáceis de despistar, através do exame feito pelo pediatra e, para a segunda, com a ajuda de exames especializados da audição.

Em casos mais extremos, crianças com problemas psicológicos ou psiquiátricos graves ou crianças que vivem em situações de carência afectiva importante ou em meios muito adversos podem mostrar também uma maior dificuldade na aprendizagem da linguagem. O seu diagnóstico é também geralmente óbvio e felizmente cada vez mais raro entre nós.

E eis então o grande temor dos pais, traduzido tantas vezes pela pergunta «não pode ser um sinal de atraso mental?». É claro que uma criança com deficiência mental apresenta geralmente um atraso no desenvolvimento da linguagem, como apresenta um atraso no desenvolvimento de outras áreas (cognitivo, motricidade, comportamento social, emocional). O atraso na linguagem pode mesmo ser um sinal precoce de deficiência mental. É importante que os pais estejam cientes de que a deficiência mental, englobando, em maior ou menor grau, todas as áreas do desenvolvimento infantil, associa ao atraso na fala outros atrasos, geralmente evidentes, pelo que a criança sem qualquer atraso em outras áreas mas com uma dificuldade na aprendizagem da linguagem se diz ter uma perturbação específica da linguagem. Por outras palavras, uma criança com deficiência mental tem atraso da linguagem, mas uma criança com atraso da linguagem não tem necessariamente um atraso mental.

Quais são as principais etapas no desenvolvimento da linguagem?

A evolução da linguagem é gradual e obedece às mesmas regras do desenvolvimento infantil em outras áreas com períodos de maior desenvolvimento alternando com outros de acalmia. E, mais importante que tudo, nem todas as crianças são iguais. Umas têm um ritmo mais lento, outras mais rápido. E numa mesma criança o ritmo pode variar de tempos a tempos. É importante que os pais conheçam o que será de esperar de uma criança em cada etapa do seu desenvolvimento em termos de linguagem mas, mais importante ainda, é conhecer os «sinais de alarme», ou seja, aquelas idades em que determinadas etapas já deverão estar concluídas e que, caso não o estejam, devem levar o pediatra a investigar o que se passa. Mas atenção: nada deve ser rígido e só a experiência do médico que segue a criança poderá dizer se neste ou naquele caso em particular os achados são normais ou algum teste suplementar é necessário.

A avaliação da linguagem é muitas vezes difícil na consulta de rotina onde a criança está pouco à vontade, envergonhada ou chorosa. Por isso, o pediatra socorre-se muitas vezes da informação dada pelos pais em relação ao que se passa em casa.

Quais os principais sinais de alarme?

Como já referi, as aquisições do desenvolvimento da fala representam a média, não o normal. Pode ser normal uma criança adquirir mais tarde algumas destas etapas, sem que isso tenha qualquer significado. O mais importante é estar atento aos sinais de alarme que indicam aquisições que devem ser feitas até determinada idade, levando muitas vezes o médico assistente a querer investigar quando algo não está bem.

Como é feita a avaliação da linguagem?

A avaliação da linguagem é feita pelo pediatra durante as consultas de rotina, com a ajuda dos pais. Aquilo que se procura é se existem alguns sinais de alarme que possam indicar um atraso no desenvolvimento nesta área. Caso sejam encontrados, é importante que sejam excluídas as causas mais frequentes, começando pela audição. Se necessário, a criança pode fazer alguns testes de audição para retirar alguma dúvida.

Se existirem principalmente problemas na articulação e coordenação da fala, deve ser consultado um terapeuta da fala. Se se suspeita de um atraso da linguagem não isolado, mas associado a problemas em outras áreas, como a motricidade, a criança deve ser avaliada numa consulta de desenvolvimento infantil por um pediatra especializado nesta área.

A perturbação específica da linguagem é um diagnóstico de exclusão e só deve ser feito se tudo o mais for excluído.

Que futuro para estas alterações?

A evolução das alterações do desenvolvimento da linguagem depende, obviamente, daquilo que está subjacente. Algumas situações como as de coordenação e articulação dos sons podem melhorar e resolver-se completamente com ajuda especializada. Alguns défices sensoriais, como da audição, podem ser total ou parcialmente corrigidos. A deficiência mental é uma situação habitualmente mais grave, apesar de poder ter muitos graus e diferentes formas. Tem de ser feita uma avaliação detalhada e um seguimento apertado por pediatras especializados nesta área.

A perturbação específica da linguagem é mais frequente nos rapazes e tem uma tendência familiar. A evolução é, na grande maioria dos casos, favorável.

Em conclusão

São muitas as causas possíveis para justificar um atraso no desenvolvimento da linguagem. Na maioria dos casos, não se trata de um verdadeiro atraso mas apenas de um desvio em relação à média das outras crianças, sem que isso tenha qualquer significado. Se existir um verdadeiro atraso, é importante excluir as causas mais importantes, por vezes com a ajuda de outros especialistas para além daquele que acompanha habitualmente a criança. Muitas situações têm uma evolução excelente. O principal receio é a possível associação com atraso mental, no qual o atraso da linguagem é apenas a ponta do iceberg. Em caso de dúvidas, fale com o seu pediatra.


OS PRIMEIROS PASSOS

Gatinhar é muito bonito, mas ao bebé já não lhe chega. O que ele quer é andar como os pais! Por isso, vai pôr-se em pé sempre que puder, apoiado em móveis, cadeiras ou nas pernas dos adultos.

O momento em que a criança dá os primeiros passos varia muito de caso para caso. Há bebés que logo ao nono mês começam a andar, mas o mais frequente é, nesta idade, apenas conseguirem aguentar-se de pé sem se equilibrarem. No entanto, é nos últimos três meses do primeiro ano que o bebé faz a transição da posição horizontal para a posição vertical.

Para dar uma «ajudinha» é importante que segure nas mãos da criança quando ela está em pé, para que fortaleça os músculos das pernas. Nesta fase, convém calçar-lhe umas botas com protecções laterais que apoiem o tornozelo e o protejam. Esta articulação é sensível e não está ainda «preparada» para suportar o peso do bebé. Verifique se a biqueira é reforçada para que possa aguentar o desgaste do gatinhar.

Com a segurança de sólidos apoios, o seu filho vai perceber as potencialidades de colocar um pé a seguir ao outro, avançando e deslocando-se numa posição privilegiada. Depois, à descoberta do equilíbrio, vai começar a fazer «tem-tens» e, de repente, começa a dar pequenos passos para percorrer pequenas distâncias —entre o pai e a mãe por exemplo. Nesta fase de transição, que pode durar várias semanas, o bebé vai simultaneamente gatinhar e treinar os primeiros passos. Há, no entanto, bebés que, assim que percebem como é que se anda, nunca mais querem outra coisa e não voltam a gatinhar.

Apoiar-se nos móveis também é uma etapa importante, não se podendo, contudo, nesta fase, descurar a atenção. Quando já controla os músculos das pernas, dos joelhos e dos pés — isto acontece por volta dos dez meses — o bebé começa a andar apoiado em diversos objectos. É bom que nesta altura ele possa andar descalço de vez em quando e vestido com roupas que lhe facilitem os movimentos. Aos 11 meses é natural que o seu filho já consiga aguentar-se em pé sem qualquer ajuda. Ainda assim, só anda se estiver apoiado. Ao 12º mês, o bebé pode já estar preparado para dar os primeiros passos sozinho. Uma das técnicas recomendadas para estimular este movimento consiste na colocação de uma cadeira junto ao móvel em que ele se apoia para andar. Lentamente, vá afastando cada vez mais a cadeira para que ele passe de um apoio para outro sozinho.

Quando der por si o que parecia uma realidade tão distante está agora à vista de toda a gente. O seu filho não pára de correr de um lado para o outro, as quedas são cada vez menos frequentes e aparatosas e até já se desvia habilmente dos objectos à medida que avança, confiante, na direcção de novas conquistas...

TRUQUES PARA TOMAR REMÉDIOS

Os mais novos optam por cuspir tudo da boca para fora; os mais velhos preferem nem chegar a abri-la. Para os pais fica o grande problema: como fazê-los engolir os remédios? Aqui ficam alguns truques para acabar com o drama.

• Para os médicos é fácil receitar uma lista enorme de medicamentos. O problema é sempre o mesmo: será que o seu filho vai tomar tudo com facilidade, sem birras? Não deixe de perguntar ao médico (ou ao farmacêutico) se os medicamentos receitados tem alguma particularidade que os torne especialmente difíceis de tomar. Por exemplo, se o xarope ou as ampolas têm um sabor desagradável, se as cápsulas são muito grandes, etc..

• Antes de dar o medicamento a tomar, prepare tudo aquilo de que vai precisar. Convém pôr um babete. Se o seu filho «odeia» o xarope, tenha um biberão de água ao lado para ele beber a seguir. Uma colher de mel ou de compota pode fazer o mesmo efeito e tornar-se uma recompensa mais doce para o «tormento» do remédio. Quando os xaropes têm um depósito no fundo, nunca se esqueça de agitar o frasco antes de dar a dose ao seu filho.

• Os bebés precisam de cuidados especiais para tomar os medicamentos. Convém que estejam confortavelmente instalados. Se o bebé ainda não se senta, recoste-o no seu colo, como quando lhe dá o biberão ou a papa.

Para os bebés com menos de seis meses, o método do conta-gotas é o ideal. Introduza a dose exacta de xarope no conta-gotas, que deve ter marcada uma graduação. Depois é só colocar o conta-gotas na boca do bebé e fazer sair o medicamento lentamente até que tenha engolido tudo.
A colher doseadora não é a maneira mais fácil de dar xaropes aos bebés. Mas se o seu bebé já come bem com a colher e não há nenhum conta-gotas à mão, distribua a dose por duas colheres diferentes para não correr o risco de entornar parte do xarope.

Esterilize as colheres antes de dar o xarope.

• Há xaropes com sabores agradáveis, mas para as crianças mais esquisitas nem esses são tomados pacificamente. Por isso, há que recorrer a algumas estratégias e negociações que facilitem o processo. O copo de água ou a colher de doce prontos a «entrar em cena» depois do xarope são um método eficaz.

• Misturar os medicamentos com a comida também é uma boa estratégia para os bebés mais esquisitos. Podem ser misturados numa ou duas colheres de iogurte, de papa ou de sopa. Convém dar o medicamento logo no início da refeição, quando o seu filho está com mais fome e, portanto, o seu grau de exigência em relação ao sabor é menor. Não misture o medicamento em toda a quantidade de papa ou sopa que o bebé vai comer pois corre o risco de ele se recusar a comer tudo e, assim, a deixar de tomar a dose exacta de medicamento.

• Nunca esmague um comprimido numa colher, nem abra as cápsulas para misturar o medicamento com os alimentos (a menos que o médico o tenha aconselhado). Se o medicamento tem essa forma é porque é assim que deve ser ingerido para se dissolver lentamente no estômago.

• Se o seu filho é daqueles que se recusa a abrir a boca, pode ser preciso um aliado para o distrair. Os irmãos mais velhos, os avós ou os primos são os ideais para fazerem brincadeiras ou palhaçadas enquanto a colher entra pela boca. No entanto, nem todas as crianças admitem ser assim «enganadas» e quando percebem o que tem de engolir deitam metade pela boca fora. Por isso, este truque só resulta com os remédios se também resulta com a comida.


CAIXINHA DE MEMÓRIAS

Todos os pais já perceberam que os seus bebés nascem com incríveis capacidades — de aprender, de sentir, de se apaixonarem. De recordarem as boas, mas também as más sensações que irão sempre fazer parte da sua vida. Tudo isto tem a ver com a memória. Na opinião do psicanalista Eduardo Sá, a memória surge indissociável das emoções e são estas que prendem os acontecimentos à memória. «A memória nunca guarda fotografias ‘polaroid’, nunca compacta imagens de um determinado momento de uma forma fotográfica», afirma. «Funciona mais como um microfilme, em vez de guardar acontecimentos, guarda imagens multifacetadas», continua. Desta forma, esta memória é fundamentalmente de natureza sensorial e emocional.

A capacidade de organizar imagens e de as evocar, e ao evocá-las recombiná-las, chama-se imaginação ou, como diz Eduardo Sá, «em rigor neurobiológico, a imaginação é a linguagem da memória». Mas afinal, o que é a memória? À medida que o bebé cresce, vão surgindo conexões (sinapses) entre os neurónios. Este processo vai permitir que a aprendizagem se torne uma realidade e vá ficando armazenada na memória. Todas as primeiras conquistas de um recém-nascido estão relacionadas com esta capacidade. Ao completar um ano, o aumento das sinapses cerebrais permite o desenvolvimento da linguagem. Por volta dos dois anos, o cérebro de uma criança tem o dobro de sinapses do que o de um adulto. Quando tem três anos, a criança operou já uma maravilhosa evolução na compreensão do mundo que a rodeia. A memória e a aprendizagem.

Há estudos que demonstram que as crianças aprendem melhor quando as mães colocam as suas questões em termos mais narrativos, por oposição àquelas que faziam perguntas de tipo prático. Concluiu-se que, quando a criança começa a falar, a sua capacidade para armazenar as recordações limita-se a experiências a que pode dar uma estrutura narrável.

Recordando o útero?

É preciso ter em conta, como afirma Eduardo Sá, que não é possível já pensar no feto como um tubo digestivo com um cérebro acoplado. E se as sensações e emoções não são dissociáveis da memória, então devemos começar a pensar que o bebé pensa, logo tem memória. E não é só depois do parto que «ligamos o botão» no cérebro do nosso bebé «Má memória» e «Boa memória».

É natural perguntarmo-nos de que se irão lembrar os nossos filhos da sua infância. E porque não pensar — se não me lembro de quando tinha dois anos, será que o meu filho, que tem três, se lembra do que aconteceu o ano passado? Eduardo Sá responde que sim, na mesma medida em que nós retivemos memórias do que aconteceu connosco o ano passado. A diferença está na forma como as crianças se relacionam com o tempo, «andando sempre de cá para lá e de lá para cá», afirma. «Amanhã já vai ser ontem outra vez» é algo que o seu filho pode dizer, mas que não significa que não tenha memória ou que tenha uma memória insípida.

AMIGOS INSEPARÁVEIS

Por volta dos dois meses, o seu bebé pode começar a dar sinais de que se afeiçoou a um determinado objecto, como uma fralda de pano, um cobertor, um lenço, um boneco ou até o seu dedo. É o que se chama o objecto inseparável ou objecto de transição. Não há qualquer desvantagem no facto de as crianças se afeiçoarem a um objecto destes e até há quem defenda que tal situação só terá benefícios, pois contribui para que a criança se sinta segura e confiante. Gradualmente e no tempo próprio, o bebé acabará por separar-se daquele «amigo». Portanto, se o seu bebé tem um destes objectos, que transporta para todo o lado, não o contrarie.

A conhecida pediatra Miriam Stoppard aconselha os pais a verem as coisas pelo seguinte prisma: «Ao ter um objecto inseparável o seu filho está a mostrar auto-confiança, quer dizer que encontrou uma forma de passar sem a presença da mãe.» Está a separar-se. Os consoladores têm a preciosa função de permitirem reconstruir a sensação de segurança sem que as crianças tenham que renunciar à independência entretanto conquistada. A chucha, o cobertor de estimação ou o peluche preferido são estratégias de crescimento que contribuem para a autonomia dos mais pequeninos sem o choque de uma ruptura. Os bebés acabam por reproduzir certos aspectos reconfortantes da própria mãe ganhando domínio sobre as situações. Ao acariciar um peluche, não se sentem perante uma presença que as controla, pois compreendem que esses actos apenas dependem delas. É o caminho para a independência.

A situação pode começar a tornar-se um pouco mais problemática se a criança usar este objecto mesmo na presença da mãe e não só quando está ensonada ou cansada. Ainda segundo a pediatra norte-americana, «se a criança persiste em transportar o objecto, mesmo na sua presença, é bem provável que não esteja a dar-lhe o amor e a atenção de que ela precisa, uma vez que ela necessita de um objecto para a substituir a si.»

Apesar de a maioria das crianças recorrer a um ou vários objectos de consolo, há bebés que nunca os adoptam, sem que isso represente qualquer tipo de problema. A presença ou ausência de objectos de transição não interfere no desenvolvimento ou na vontade gradual de descobrir o mundo pois surge de acordo com as necessidades de cada criança. Os pais devem respeitar estas pequenas estratégias dos filhos na conquista da sua autonomia sem motivos para preocupações.

A dependência dos consoladores em geral desaparece entre os dois e os cinco anos, mas pode acontecer mais tarde. É conveniente que, de vez em quando, com ar encorajador os pais façam referência ao dia em que o bebé já crescido deixará de precisar do «companheiro». Lembre-se que os consoladores, além de possibilitarem às crianças uma sensação de segurança, ajudam-nas a ganhar confiança nelas próprias.

UTILIDADES

- checklist (ida à praia + viajar + artigos para o bebé)
- calendário de vacinação


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