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ADEUS FRALDAS | ESTE BRINQUEDO É MEU | JÁ SOU GRANDE | BONS HÁBITOS PARA DENTES SAUDÁVEIS | MEDO DO ESCURO | UTILIDADES

ADEUS FRALDAS

Prepare-se: habituá-los a andar sem fraldas é uma coisa que não acontece de um dia para o outro. Exige, antes de mais, tempo e paciência. E, logo a seguir, um balde e uma esfregona. Para as «pocinhas» que vão aparecendo aqui e ali... E para outras coisas mais sólidas!
«Pocinhas» no sofá, por exemplo, aquele novinho em folha que acabou de comprar, sabe? Ou então no chão da sala, da cozinha, do quarto, bem no meio do tapete... Ou na sua cama que, por acaso, até tinha acabado de ser feita de lavado. Ou ainda na cadeirinha do carro, depois de lhe ter perguntado mil vezes, antes de sair de casa, se não queria chichi. É caso para dizer: «Será que esta criança nunca mais aprende que tem de ir ao penico?»

Bom, mas vamos começar pelo princípio. Quantos anos tem o seu filho? É que se estamos a falar de uma criança com pouco mais de 1 ano, talvez seja escusado tentar tirar-lhe as fraldas agora. Isto porque, até aos 18 meses, as crianças fazem as suas necessidades de uma forma automática, ou seja, obedecem apenas ao comando reflexo e involuntário dos chamados músculos «lisos». Depois, a pouco e pouco, começam então a ser capazes de controlar os músculos ditos «estriados» — que são comandados pelo cérebro e, portanto, pela vontade — e passam a conseguir reter chichis e cócós.

Embora não exista uma idade de referência, é pouco provável conseguir que uma criança largue as fraldas antes dos 18 meses, assim como é improvável que, aos dois anos e tal, ainda precise delas durante o dia. Regra geral, as crianças controlam primeiro o intestino e só depois a bexiga. Por isso mesmo, é normal que já peçam para fazer cócó, enquanto alguns chichis continuam a correr, involuntariamente, pelas pernas baixo...

Os «sólidos»... É preciso começar por algum lado. Por isso mesmo, o melhor é ser você a dar o primeiro passo. Há crianças, por exemplo, que têm uma hora mais ou menos certa para fazer cócó. Se esse é o caso do seu filho ou da sua filha, comece a sentá-lo/a no bacio por volta dessa hora. No entanto, não insista demasiado e conte com alguma «agitação» ao longo do acontecimento. Ou seja, não espere que, logo da primeira vez, ele ou ela fiquem obedientemente sentados até «a coisa sair». Muitas crianças, mesmo que tenham vontade, estranham este novo hábito. O simples facto de estarem numa posição diferente pode dificultar a «operação». Afinal, enquanto usam fraldas, as crianças pequenas fazem muitas vezes cócó em pé, ou deitadas e isto de estarem sentadas num penico deve ser uma grande novidade para elas. Opte por um penico, claro, em vez de a deixar meia pendurada numa retrete certamente grande demais para o seu tamanho. Mesmo que a agarre, ela terá a sensação de poder «ir pelo cano abaixo»...

Depois, dê-lhe tempo. Vá conversando ou contando uma história e não fique zangada se, depois do mesmo ritual durante três ou quatro dias seguidos, ainda não se atingiram resultados visíveis, mas apenas três ou quatro pares de cuecas bem sujas... Mais tarde ou mais cedo, isso deixará de acontecer e, nessa altura, faça uma «festa». Elogie a criança e conte aos outros membros da família a façanha, pois trata-se, de facto, de uma grande proeza.

É claro que, às vezes, dão-se dois passos para a frente e, dias mais tarde, cinco para trás. Isto significa que, depois de uma semana inteira a cumprir escrupulosamente os recém-adquiridos hábitos de limpeza, a criança pode muito bem fazer cócó nas cuecas de novo. Não ralhe (nem mesmo se for um daqueles que ninguém gosta de limpar, a cheirar muito mal e a escorrer pelas pernas abaixo... que nojo!) Que nojo, pois é, mas não ralhe. Em vez disso, seja solidária e explique que estas coisas acontecem e que não são graves. Mas que, já agora, era melhor não voltarem a acontecer... No entanto, se o seu filho costuma ter as fezes moles, as hipóteses de se sujar sem querer são maiores. Dê-lhe tempo e, sobretudo, festeje com ele sempre que for bem sucedido. Dá muito mais resultado, em termos de auto-estima, do que desatar a ralhar de cada vez que ele «falha o alvo»….

E os «líquidos»! Se os cócós fora do sítio são (muito!) desagradáveis de limpar, os chichis já custam menos. O problema é que os chichis são, por dia, em número muito maior do que os cócós. Daí a história das «pocinhas»... No entanto, estar constantemente a pôr uma criança num bacio para ver se ela faz chichi é pouco prático. Por outro lado, pedir-lhe para avisar sempre que tiver vontade é pouco fiável.

Mas isto será apenas ao princípio e, mais importante do que tudo o resto, é não desesperar nem desistir. É claro que é fundamental a colaboração das educadoras, caso a criança já ande na escola. Muitas vezes, são até elas as primeiras a incentivar as mães para que tirem as fraldas aos filhos. O facto de o mesmo hábito começar a ser posto em prática na escola e em casa ao mesmo tempo facilitará todo o processo. Um processo que também implica uma certa coerência. O que é que isto quer dizer? Imagine a seguinte situação: o seu filho ou a sua filha até já pedem muitas vezes para fazer chichi no bacio.

No entanto, ainda usam fraldas à noite (é natural tirá-las primeiro durante o dia e só mais tarde durante a noite). Já na cama, gritam-lhe que estão «aflitinhos». Você está na sala ou na cozinha e, por acaso, até está a fazer uma coisa que não lhe dá jeito nenhum interromper. Confesse lá que não se vai sentir tentada a sugerir: «Ó querido faz na fralda que a mãe agora não pode ir aí...».

Mas não, não pode ser e era por isso que eu dizia que tem de haver uma certa coerência... Ou seja, você vai ter mesmo de interromper o que estava a fazer, levá-lo à casa de banho, tirar-lhe a fralda, sentá-lo no bacio e talvez, no fim de contas, contar com uma pequena surpresa: «Afinal não quero, mãe!». Às vezes, é mesmo assim, era tudo uma fita pegada que resultou num pinguinho minúsculo. No entanto, foi importante você lá ter ido, desde que o episódio não dê aso a repetição noite após noite, como é óbvio... Pelo contrário, se a incentivar a fazer na fralda porque nessa altura está ocupada com outra coisa, a criança sentir-se-á baralhada, pensando que, afinal, aquela trabalheira toda de ir ao penico não vale assim tanto a pena.

Dar tempo ao tempo resulta sempre

Se não há uma medida de referência quanto à «idade ideal» para largar as fraldas, também não há dados estatísticos sobre a duração do processo. Há crianças que, numa semana, aprendem a fazer tudo «no sítio certo», há outras que podem levar muito mais tempo e há ainda as «intermitentes», ou seja, aquelas que vão aprendendo e desaprendendo até ao dia em que, finalmente, conseguem «interiorizar» os mecanismos necessários para um controlo eficaz e duradouro.

Até porque não basta estar «anatomicamente pronto», seja do ponto de vista orgânico, seja do ponto de vista neurológico. O sucesso passa também, e sobretudo, pela vontade que a criança tem, ou não tem, de pôr em prática os seus novos hábitos de higiene. Por isso mesmo, estes devem ser vistos como mais uma etapa no processo de aprendizagem e não como uma «batalha» pela limpeza, que deverá ser ganha a qualquer custo. É muito importante a criança não sentir que está constantemente a ser posta à prova, mas apenas a ser desafiada para se tornar mais «crescida» e mais limpinha.

Vencida a etapa dos dias sem fraldas, há depois que esperar pelo momento das «noites secas». E aqui tudo se torna um pouco mais complicado, sobretudo ao princípio. Porquê? Porque certamente irá ser preciso acordar a criança uma ou duas vezes por noite até que ela se habitue a acordar por si própria, sempre que tiver vontade de ir à casa de banho.

Mas, mais uma vez, cada caso é um caso. Há crianças que fazem muito mais chichi do que outras, por exemplo. E essas talvez precisem de ser acordadas mais vezes. Seja como for, conte com lençóis molhados com alguma frequência. Não se esqueça de utilizar um resguardo de plástico para que o colchão não fique também molhado e com manchas. E, já agora, espere pelo bom tempo para se lançar nesta aventura: os lençóis, as cuecas, as calças e até os tapetes e as capas dos sofás secam muito mais depressa ao sol!

Ideias práticas

- Compre um penico divertido. Há milhares deles à venda nas lojas, de todas as cores e dos mais variados feitios. Um penico divertido é sempre uma atracção interessante, nem que seja para «cativar» a criança ao princípio.
- Coloque o penico num sítio acessível. Ou seja, nada de o pendurar altíssimo atrás da porta ou de o pôr atrás da retrete, entalado nos canos. É bom que a criança sinta que a independência também passa por conseguir ir buscar o penico sozinha e que só precisa de chamar alguém quando o «serviço» estiver acabado.
- Seja como for, tente ficar por perto sempre que perceber que alguma coisa se está a passar. As crianças adoram explorar tudo e mais alguma coisa e cócós e chichis não fogem à regra.
- Se anda em processo de tirar fraldas, leve sempre uma ou duas mudas de roupa quando sair de casa. E uma fralda, mesmo que isso lhe pareça um contrasenso. Pode acontecer ter voltar já de noite para casa, com a criança a dormir no carro, e não dava jeito nenhum ter de lavar a cadeirinha...
- Respeite o ritmo do seu filho e não o force a nada se vir que ele não está a colaborar, mas antes a resistir mais do que seria suposto. Mesmo que ache que ele já tem idade para largar as fraldas, é fundamental que ele próprio também as queira largar.
- Se já ultrapassou a primeira fase (largar as fraldas durante o dia) e está a tentar pôr em prática a segunda fase (largar as fraldas durante a noite) é boa ideia deixar o penico ao lado da cama. E veja se não lhe dá muitos líquidos antes da hora de ir dormir.
- Tenha mesmo um balde e uma esfregona à mão, pois vai ver que aquilo das «pocinhas» não era de todo invenção de uma mente maldosa, mas sim incontornáveis, embora pequenos, acidentes de percurso.

Boa sorte!

ESTE BRINQUEDO É MEU!

Todas as crianças passam por uma fase aparentemente egoísta: querem tudo o que vêem, lutam por um brinquedo que não é delas e defendem desesperadamente o que é seu. Mas é apenas uma questão de tempo até descobrirem que partilhar é fundamental e, até, divertido.

Por volta dos dois anos, a criança esforça-se por perceber como funcionam as coisas que a rodeiam e sente uma enorme curiosidade por tudo o que é novo. Começa, então, a mostrar interesse por estar com outras crianças e a estabelecer os seus primeiros relacionamentos sociais. Os brinquedos constituem, nesta fase, um papel decisivo para o seu desenvolvimento, porque criam um elo entre a criança e o mundo: através deles, as crianças descobrem, exploram e estabelecem os primeiros contactos com os outros meninos. No entanto, é também através dos brinquedos que se criam os primeiros conflitos. Afinal, um brinquedo é um objecto de valor que a criança quer ter e do qual deseja apoderar-se, ou apenas recuperar ou lutar por ele. Por isso, as primeiras relações com outras crianças são normalmente conflituosas.

Aos dois anos, a criança é ainda muito pequena e considera-se o centro do mundo. Talvez por isso não consegue perceber que as outras crianças também têm vontade de brincar com os mesmos brinquedos e que não acham lá muito interessante essa ideia de partilhar. Assim, defender o que é seu parece-lhe fundamental quando tem outras crianças por perto, sem que isto signifique, obrigatoriamente, que está a desenvolver uma personalidade egoísta, nem tão pouco agressiva.

A fantástica sensação de posse

A Joana, de dois anos, perde toda a sua doçura quando entra no quarto dos primos. Atraída por uma série brinquedos que não lhe são familiares, torna-se desagradável quando António, o seu primo da mesma idade, tenta apoderar-se do comboio que é seu e que está nas mãos da prima. Num abrir e fechar de olhos, o conflito instala-se.

Quando se trata de relacionamentos com crianças de idades semelhantes, esta vontade de mexer e possuir tudo o que lhes chama a atenção poderá não trazer bons resultados. As disputas e mesmo a agressividade em relação a um objecto serão frequentes. No entanto, isto não é necessariamente um sinal de desenvolvimento de uma personalidade possessiva ou hostil. A noção de posse é muito básica: se isto está na minha mão é porque meu! Se está na mão de outro menino, então ele nunca mais me dá o brinquedo! Emprestar, por outro lado, é uma noção ainda muito complicada de entender para estas cabecinhas. Por isso, defendem o que é seu, ou o que acham que já passou a ser seu! Por vezes, a curiosidade pelo brinquedo de uma outra criança é tão grande que lhe parece muito natural correr e tirar-lho da mão. A outra criança, surpreendida e contrariada por já não ser a detentora do brinquedo, reage furiosamente. Começam os gritos, os puxões de cabelos, os choros... Todos eles processos naturais do desenvolvimento social.

Ensinar a partilhar

Perante uma situação como a que foi acima referida, que deverão fazer os pais? Defender o seu filho sempre que este se envolve num conflito? Ou, pelo contrário, deixá-lo lutar com o outra até que um consiga vencer pela força? Ou seja, devem os pais ajudar os filhos a defenderem com unhas e dentes o que lhes pertence, ou, pelo contrário, ensiná-los a partilhar? Como em tudo na vida, o equilíbrio recomenda-se. Os conflitos entre as pessoas existem e existirão sempre, ao longo de toda a vida, e é necessário aprender a resolvê-los da melhor forma possível.

Por isso, tente não intervir nos primeiros momentos de um desentendimento entre crianças, espere que elas tentem resolver as suas diferenças sem intromissão de terceiros. A criança vai precisar de aprender a defender-se sozinha para poder sentir mais confiança em si mesma. Se tiver os pais sempre a defendê-la, não saberá como agir quando estes lhes faltarem. No entanto, se o conflito se complicar até a briga se tornar insustentável, então terá de interferir. Ajude-as a resolver os seus problemas através das palavra e não pela agressividade: tente que concordem que brinquem à vez e atraia a atenção da criança que fica à espera para outra coisa. Proponha-lhes fazer desenhos, pondo-lhes à disposição muitos papeis e lápis de cor. Fomentar os jogos e as brincadeiras em grupo é uma forma eficaz de as fazer entender que as outras crianças são amigas e importantes para se divertirem. Por isso, os brinquedos que necessitem de dois ou mais participantes são positivos neste sentido.

Não se esqueça de levar uns brinquedos do seu filho quando sabe que ele vai brincar com outras crianças. Assim promove o intercâmbio: ele brinca com os brinquedos dos outros meninos e habitua-se a ver os outros meninos a brincar com os seus.

Tente recorrer à empatia se a criança se mostrar muito renitente em deixar que brinquem com as suas coisas. Mostre-lhe que o amigo está triste porque não tem um carrinho tão bonito como o dele e que ele também ficava triste se não pudesse brincar com o carrinho. Vai ver que o seu filho até sabe ser generoso!

Mantenha-se atento se a criança brincar com outras crianças mais novas ou mais velhas. Por vezes, basta um ano de diferença entre elas para terem conceitos de brincar totalmente diferentes: o que para um é brincar, para o outro pode ser destruir!

Não o obrigue sempre a ceder

Não exagere no desafio de ensinar o seu filho a partilhar. Não o force sempre a emprestar ou a dar as suas coisas aos outros meninos, deixe-os primeiro tentar resolver esses assuntos entre eles. Não o critique nem o castigue, porque ele ainda não está preparado para perceber as noções de emprestar, dar, ter... Incentive-o a repartir, mas não o obrigue, o que o tornará inseguro. Se a criança for pressionada no sentido de abdicar de tudo o que lhe chama a atenção, sentir-se-á inferiorizada em relação aos outros meninos, criando problemas de auto-estima e valorização pessoal, pois poderá começar a achar que os outros merecem mais do que ela.

Não se esqueça que o elogio e o exemplo são as melhores formas de levar uma criança a fazer aquilo que você quer. Por isso, partilhe como gostaria que ele partilhasse, seja generoso com os que o rodeiam, elogie-o quando o vir a partilhar, para o estimular. As crianças imitas os pais nas suas acções. Assim, se não quer que elas gritem ou briguem, fale-lhes com calma, para que se sintam tranquilas e assim se comportem.

Voltando à história da Joana e do António, o relacionamento entre ambos não será comprometido por estas pequenas desavenças, nem tão pouco estas crianças se estão a tornar egoístas. As diferenças de interesses vão acontecer durante toda a vida e as crianças só a pouco e pouco começam a saber lidar com situações deste tipo. Além disso, este instinto exagerado de posse vai passando à medida que elas vão aprendendo a conviver mais umas com as outras. Quanto mais se relacionarem, mais facilmente irão ultrapassar esta fase, descobrindo o prazer que é brincar com outros meninos.

JÁ SOU GRANDE!

Por volta dos dois anos de idade, o seu filho acha que já é grande, que já pode ter atitudes semelhantes às dos adultos. A par desta necessidade de independência e afirmação virá uma impressionante tendência para os disparates. Óptima altura para a criança começar a perceber que há limites para tudo...

O seu bebé já não é um bebé!

De repente, quase sem que a mãe ou o pai tivessem dado por isso, percebeu que pode participar em actividades que, antes, eram da inteira responsabilidade dos mais velhos e que até pode executá-las sozinho. Da mesma forma, vai sendo capaz de controlar as suas atitudes e já vai dizendo «não» com muita convicção: «Não quero dar a mão para atravessar a rua», «Não quero ajuda para me vestir», «Eu faço sozinho porque eu já sou grande!».

As negativas que vai ouvindo são um sinal de que a criança está a querer desenvolver capacidades para se tornar auto-suficiente, ou seja, está a criar as bases da sua independência. Nada mais positivo para o seu desenvolvimento. O que ela precisa agora é de apoio e encorajamento. No entanto, nem tudo é fácil para os pais. A par do orgulho que sentem ao verem o seu bebé começar a desembaraçar-se sozinho, vão ter também de se confrontar com os disparates que daí vão resultar. É que a sua vontade de imitar os adultos vai levá-lo a querer lidar com tudo o que estiver ao seu alcance, mas em que não deveria sequer mexer: as chaves, os óculos, os telemóveis, a aparelhagem ou a maquilhagem da mãe. Estes «objectos maravilhosos» que tão úteis são para nós, poderão vir a ter uma função, no mínimo estranha, nas mãos da criança, ávida por descobrir e participar no mundo dos grandes.

O ideal seria se ela resolvesse satisfazer os seus desejos de exploração e de autonomia em actividades que não apresentassem qualquer risco. Mas a realidade não é essa. Gostaria que o seu filho comesse sem precisar de ajuda? O seu desejo vai ser concretizado, mas prepare-se, porque ele vai também querer servir-se sozinho, levantar a mesa, ou aquecer a sopa! A criança transborda de curiosidade, sente necessidade em fazer novas descobertas e conquistas. Mas ainda não faz ideia do significado de perigoso, valioso, ou de estimação. Cabe, por isso, aos pais terem paciência e redobrarem a atenção, no sentido de preservarem os seus objectos e, principalmente, a integridade física da criança, ao mesmo tempo que lhe criam condições favoráveis ao seu desenvolvimento intelectual.

Disparates sem maldade

Previna-se contra as asneiras que a criança teima em cometer: tire do seu alcance todos os objectos que considere perigosos ou, simplesmente, valiosos. Os objectos perigosos não só devem ser afastados das crianças, como se deve evitar que elas percebam como funcionam e onde estão guardados para não despertarem a sua curiosidade. Não se descuide! Quanto às experiências menos felizes, não merece a pena fazer grandes dramas. É difícil para a criança perceber a asneira que cometeu, se não sabe exactamente como se usam estes novos objectos. É por isso que sente necessidade de tocar e experimentar, até perceber como pode utilizar as coisas.

Os disparates infindáveis, porém, podem ser sinónimo de outros problemas. Se a criança é deixada a brincar sozinha durante muito tempo, é natural que, em pouco tempo, fique cansada de estar sem companhia e procure algo mais aliciante, como os «brinquedos» dos pais. Não se esqueça que ela ainda é muito pequena e precisa da atenção e da disponibilidade dos mais velhos. Repense também os brinquedos que a criança tem. Os brinquedos muito básicos ou muito complicados perdem o interesse num minuto e a asneira parece bem mais tentadora. Se a criança tem uma atracção enorme pelo seu telemóvel, dê-lhe um de brincar. Se ela adora ir para a sua secretária rabiscar em todos os documentos importantes, arranje-lhe uma secretária só dela, com muitos lápis e papéis. Definir os seus próprios objectos pode ajudar a diminuir a vontade de mexer nas coisas das outras pessoas.

A importância do apoio e do elogio

O elogio e o incentivo têm resultados muito positivos para o desenvolvimento infantil. Por isso, não se canse de apoiar e de aplaudir o seu filho quando este desenvolve uma actividade correctamente. Os aplausos e os elogios não só são um bálsamo para o seu ego, como também o tornam muito mais receptivo e cooperante às mensagens dos pais.

Adapte-se às novas necessidades da criança

Se ela gosta de se calçar sozinha, opte por umas botas de velcro nas próximas compras, para ela as poder calçar sem ajuda. É bom que ela se sinta apoiada nestas pequenas conquistas. Incentivar a criança a participar em actividades que ela considera dos adultos, mas que nem por isso são arriscadas, é outra forma de minimizar as experiências mal sucedidas, ao mesmo tempo que a faz sentir mais responsável. Se ela quer ajudar a mãe e, por isso, insiste em passar a ferro, demonstre-lhe que realmente precisa da sua ajuda, mas para outras tarefas: peça-lhe ajuda para carregar as compras, arrumar a roupa na gaveta, embrulhar as prendas de Natal…

Saber dizer-lhe não

Dizer que não ao seu rebento é, por vezes, doloroso. Mas um «não» que tenha razão de ser não o pode prejudicar. Uma proibição, normalmente, é para o bem da criança, para evitar que se magoe ou que estrague algo. Nestes casos, seja firme e não volte atrás só para evitar uma birra. Mostre que tem razões fortes para tal, porque existe perigo, ou porque simplesmente não pode mexer em tudo. Tente explicar-lhe que os limites têm de ser respeitados; que existem algumas coisas a que só está autorizada quando for maior. Faça-a perceber que todas as pessoas, quer adultos, quer crianças, têm de cumprir regras. É importante que ela vá percebendo que os limites existem, mas que não são uma exclusividade sua, o que a deixaria muito frustrada. No entanto, não espere que ela perceba tudo à primeira e esteja preparado para lhe repetir calmamente os limites e as interdições, até ela os ter interiorizado.

Tente ser equilibrado nas suas reacções às tentativas de autonomia da criança. Não passe o tempo a dizer «não» por tudo e por nada, ou, por outro lado, não se contenha só para ela não ser contrariada. O mesmo deve acontecer em relação às atitudes dos adultos que influenciam a sua educação. Muitas contradições podem-na deixar confusa: se o pai acha graça quando ela tenta lavar as mãos, mas se a mãe se zanga porque ela molha tudo, é natural que a criança fique baralhada!

O privilégio de ser bebé

Esta fase será, sem dúvida, cansativa para os pais, mas também muito compensadora ao verem os seus filhos fazerem cada vez mais coisas sozinhos. No entanto, não espere que a criança tenha sempre vontade de aplicar a autonomia já conquistada. Tão depressa vai querer andar sozinha, exactamente quando quer que ela lhe dê a mão, como vai querer colo quando os pais precisavam de ter as mãos livres! Afinal, ela ainda é um bebé e este é um estatuto que não gostaria de perder tão cedo. O facto de ser ainda muito pequenino dá-lhe a vantagem desta dualidade: às vezes é grande, às vezes é bebé. Encoraje-o, mas não tenha pressa de lhe tirar este maravilhoso privilégio.

BONS HÁBITOS PARA DENTES SAUDÁVEIS

Existem na cavidade oral várias bactérias. Algumas vivem connosco e são bem importantes, ajudando-nos nas diversas funções fisiológicas. Outras podem provocar doenças, de diversos tipos — uma dessas bactérias é o Streptococcus mutans, que «gosta» dos dentes e dos restos de alimentos, designadamente dos açúcares que ficam nos dentes.

Refira-se também que os dentes não são unicamente a «parte da frente», visível quando se sorri, mas também a parte de trás, as superfícies viradas para cima e para baixo e, ainda, as faces que ficam entre eles. Este aspecto é muito importante quando pensarmos na limpeza dos dentes. Voltando ao Streptococcus mutans, se os dentes ficarem com alimentos ou açúcares, esta bactéria vai alimentar-se deles e, ao comer os açúcares, metaboliza-os em ácido. Estas mini-gotas de ácido vão corroendo os dentes, criando um rendilhado que permite a passagem desta e de outras bactérias para níveis mais baixos, causando abcessos e gengivites, ou expondo os nervos ao ar, frio e alimentos, causando dor. Por outro lado, os dentes ficam frágeis e partem-se com actos simples, como morder um pão ou uma maçã.

Ter dentes mais «fortes», ou dentes «completos», é fundamental e consegue-se através da suplementação de flúor.

Por outro lado, como dissemos, nesta «luta» as bactérias da boca alimentam-se de açúcares e, deste processo bacteriano de transformação dos açúcares resulta a produção de ácidos que corroem o esmalte e provocam a cárie. A racionalização do consumo de açúcares («menos doces, melhores doces», com relevo para os substitutos não-cariogénicos dos açúcares e para o factor «tempo» na ingestão de alimentos cariogénicos) é essencial, diminuindo o substrato para a proliferação bacteriana e para a produção de ácido.

A escovagem dos dentes

Não basta «lavar» os dentes. É também preciso escová-los, com pasta de dentes, em movimentos vagarosos, circulares, em toda a superfície dos dentes, não esquecendo a face interior dos dentes e os dentes «lá de trás». Escovar junto às gengivas é fundamental — mesmo que sangre um pouco, o que é sinal justamente que existe placa bacteriana e gengivite.

Assim que uma criança sabe bochechar poderá, no final da escovagem, bochechar durante 20-30 segundos com um dos muitos solutos que se vendem nos supermercados (vermelhos, verdes, azuis... alguns «com sabor a pastilha elástica»).

O fio dentário

A utilização do fio dentário (possível após os 8 anos de idade) é essencial para remover a «placa bacteriana», ou seja, os «ninhos» de bactérias que se situam entre os dentes. A escova de dentes não consegue lá chegar e, assim, a cárie vai-se instalando. O fio dentário, colocado nas passagens entre dentes, conseguem, pela fricção, limpar as bactérias e essas superfícies laterais dos dentes. O fio dentário, às vezes, provoca pequenas hemorragias das gengivas, mas isso não tem qualquer problema (é bom dizer isto à criança, para não ficar com medo).

MEDO DO ESCURO

Acabe com ele

Quase todas as crianças passam por uma fase, entre os dois e os cinco anos, em que têm medo do escuro. Há muitas razões para este medo, mas há também muitas formas de ajudar o seu filho a ultrapassá-lo. Acima de tudo, é preciso muita paciência e alguma luz.

Atrás do medo do escuro podem esconder-se outros medos maiores. Estar sozinho no quarto, por exemplo, pode dar origem a alguma insegurança. O medo dos lobos maus, dos monstros e das bruxas pode ser uma fonte de angústias, sobretudo à noite. Tudo isso é, então, expresso como medo do escuro. Por outro lado, acordar durante a noite e não conseguir ver nada, nem o próprio corpo, pode ser bastante assustador para uma criança pequena. Convém, assim, perceber exactamente o que é que assusta o seu filho, para poder ajudá-lo. Se o seu filho está constantemente a «fugir» para a sua cama e se, com companhia, o escuro não o assusta, talvez seja porque o que ele tem é medo de estar sozinho. Se houver um irmão, talvez a solução passe por os juntar aos dois no mesmo quarto.

Ter um boneco de estimação pode funcionar como uma espécie de amuleto contra o medo. Dormir agarrado ao ursinho ou à boneca preferida dá segurança e anula um pouco a sensação de estar sozinho.

Ter uma lâmpada de baixa voltagem acesa no corredor, perto da porta do quarto, é dar-lhe uma referência para que não se sinta completamente perdido na escuridão. Outra opção possível, são aquelas luzes de presença que se encaixam nas tomadas eléctricas e que, durante a noite, permitem que o quarto não fique totalmente às escuras. Pode, ainda, oferecer-lhe uma pequena lanterna de bolso que ele poderá deixar na mesinha de cabeceira e acender, caso acorde durante a noite.

Uma forma de deixar de ter medo do escuro é fazer com que o escuro se torne familiar. Uma quebra de energia — real ou fictícia — é uma boa experiência para «conhecer» a casa sem luz. Passear por todas as divisões, tocando nos móveis e nas paredes, sempre de mão dada com ele, é um jogo que, além de poder ser divertido, vai fazer com que ele deixe de sentir a escuridão como uma ameaça. É claro que, antes de mais nada, tem de sentir se ele está pronto para entrar no jogo ou à beira de entrar em pânico. Se a atitude dos pais não der segurança à criança, tudo o resto será em vão. Ou seja, o mais importante de tudo é que o seu filho sinta que está seguro e protegido junto dos pais. Deixar-lhe a luz do corredor acesa, ao mesmo tempo que lhe diz, entre dentes, que ele é um «mariquinhas» e que não faz sentido nenhum ter medo do escuro não é de todo a melhor forma de o ajudar.

Usar a escuridão para brincar é das melhores maneiras de a tornar amigável. Para os mais novos, as sombras com as mãos, projectadas na parede, são uma boa forma de se iniciarem nestas brincadeiras. Os mais velhos, entretanto, podem divertir-se a jogar ao quarto escuro.

Contar uma história à noite, antes de dormir, é um óptimo hábito para combater medos. Mas, atenção! Saiba escolher as histórias, deixando de lado os monstros, as bruxas e os ladrões. Do mesmo modo, evite, tanto quanto possível, que o seu filho assista a programas violentos na televisão.
Finalmente, seja paciente. Mesmo que o medo do escuro se prolongue por muito tempo, nunca perca a paciência nem nunca deixe de o fazer sentir que, perto dos pais, e mesmo na mais completa escuridão, ele estará sempre em segurança.

UTILIDADES

- checklist (ida à praia + viajar + artigos para o bebé)
- calendário de vacinação

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