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Setembro/2007
Bebés fumadores passivos
Segundo investigações recentes, os pais que fumam perto dos seus filhos recém-nascidos contribuem para que estes se tornem fumadores passivos, pondo em risco a sua saúde, na medida em que podem vir a desenvolver problemas respiratórios graves.
Se a mãe fuma perto do seu bebé, ele acaba por vir a absorver o fumo e a integrar no seu corpo níveis quatro vezes mais altos do que o normal de uma toxina específica, a cotinina. Se o pai também é fumador, este nível duplica. Publicado recentemente pelos Archives of Diseases in Childhood, estes estudos investigaram 104 bebés com 12 semanas de idade.
Estes níveis desta toxina sobem nos bebés que dormiam em quartos frios, tal como durante o Inverno, o que poderá estar relacionado com o facto dos pais fumarem, mais frequentemente, dentro de casa.
Organização neurológica
A agitação e o choro dos recém-nascidos, que muitos pais atribuem às tradicionais cólicas, poderiam, afinal, estar simplesmente associados a um processo normal e saudável de crescimento e adaptação do seu sistema neurológico. Garantem-no especialistas no assunto, numa investigação recentemente publicada na revista Developmental Medicine And Child Neurology, sobre bebés com cinco ou seis semanas de vida.
Em muitos dos bebés observados, os ataques de choro prolongado e a agitação interminável antes associados ao mal-estar a certas horas do dia ou sobretudo noite, nada mais eram, afinal, do que saudáveis manifestações da maturação do seu sistema neurológico, numa tentativa de organização.
A importância do sono
A ideia de que dormir bem faz crescer é um princípio do senso comum. Mas não só. Todos os especialistas confirmam o facto de que a falta de um número de horas adequado de sono prejudica enormemente não só o crescimento saudável, como também interfere numa série de outros factores na vida das crianças, como por exemplo, a falta de concentração e o mau desempenho escolar, que são igualmente consequência de um sono deficiente. E os danos não ficam por aqui. Investigadores da Northwestern University, em Inglaterra, observaram um grupo de 2000 crianças, entre os três e os 17 anos, e chegaram à conclusão de que aqueles que dormiam um sono reparador e profundo eram menos vulneráveis à obesidade do que outros, que dormiam menos tempo.
Na realidade, estudos prévios já tinham provado que as mudanças hormonais, causadas pela carência de sono, pode levar ao aumento de apetite. Da mesma forma, as crianças cronicamente cansadas, têm menos energia para fazer exercício físico, logo mexem-se muito menos, o que é meio camio andado para o excesso de peso.
Sendo verdade que nem todas as crianças necessitam do mesmo número de horas de sono, recomenda-se, como regra, que as que têm entre 5 e 12 anos durmam entre 10 a 12 horas de sono, e os adolescentes, de 8 a nove horas.

 

Outubro/2007
Bonecos reduzem o síndrome de morte súbita do lactente
Os lactentes que dormem com, pelo menos, um boneco correm menos riscos de serem vítimas do síndrome de morte súbita, de acordo com a Academia Americana de Pediatria.
Segundo este organismo, deve ser dado um boneco ao bebé cada vez que este é deitado no berço, com excepção das crianças com menos de um mês de idade ou que manifestem incómodo ou recusa.
Um outro estudo, realizado por investigadores na Califórnia, conclui que, com um “companheiro de sono”, o risco de morte súbita pode ser reduzido até 90%. Em contrapartida, os pais não se devem preocupar se o boneco cair para o chão durante o sono.
Medicamento biológico
Foi aprovada em Junho pela Agência Europeia do Medicamento, a primeira terapêutica biológica para o tratamento da Doença Inflamatória do Intestino ou, como é geralmente conhecida, doença de crohn, na infância e na adolescência. A partir de agora, as crianças que sofrem desta doença poderão beneficiar deste novo medicamento biológico, o que representa um passo em frente no tratamento da patologia, o que constitui uma das principais novidades no 27º Congresso Nacional de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva decorrido no Algarve. Trata-se de uma terapêutica biológica feita em manutenção, ou seja, de oito em oito semanas, que não só ajuda a controlar os sintomas como as diarreias e a dor abdominal, como ajuda as crianças e os adolescentes a desenvolver um crescimento normal. Esta doença crónica começa, em 20% dos casos, durante estas idades, diminuindo muito a qualidade de vida dos doentes.
Contra os purés
Especialista em desenvolvimento infantil e uma das responsáveis pelo UK Baby Friendly Iniciative da Unicef, Gill Rapley, declarou que alimentar os bebés com purés a partir dos seis meses de idade não só é uma forma artificial e desnecessária de o fazer como pode vir a prejudicar a criança.
Esta técnica de saúde infantil garante que a alimentação em forma de puré pode vir a causar nas crianças prisão de ventre, além de dificultar a sua adaptação a géneros mais variados de alimentação. Com 25 anos de experiência, Gill Rapley desenvolveu um programa de alimentação de bebés que aconselha a que o bebé bebe apenas leite até aos seis meses, seja leite materno ou leite em pó.
“A investigação revela que alimentar a criança nos seus primeiros anos de vida com outra coisa que não seja leite, corre o risco de atenuar o seu valioso valor nutricional, e põe em risco a saúde da criança”. Depois destes seis meses Rapley assegura que o bebé está pronto para mastigar alguns alimentos sólidos. Darlhe apenas papas, atrasa esta capacidade. Em vez disso, pode-se continuar a alimentá-lo com leite, ao mesmo tempo que se introduzem pequenos alimentos sólidos que eles sejam capazes de mastigar.
O banho do recém-nascido
Um estudo publicado na revista inglesa Mother and Baby revelou que os bebés dobraram a possibilidade, em relação à geração dos seus pais, de desenvolverem problemas de pele, e isto graças ao excesso de limpeza a que nós, mães, os submetemos, como o banho diário, por exemplo. Sendo cinco vezes mais fina do que a de um adulto, a pele delicada do bebé pede cuidados diferentes.
Esta investigação demonstra, em concreto, que 33% das meninas e 37% dos meninos analisados têm a pele sensível, o que é mais do que o dobro da média registada em investigações anteriores. Os nossos bebés são “limpos demais”, diz Elena Dalrymple, editora da citada revista britânica e responsável pela pesquisa.
O problema é que “os produtos de limpeza contêm muitos mais químicos do que antigamente”. Assim sendo, recomenda-se que os banhos, em média, não excedam mais do que dois ou três, no máximo. Nos intervalos, podemos recorrer a outro tipo de higiene, que seja menos agressiva para a pele do bebé.

 

Novembro/2007
Primeiras mentiras acontecem aos seis meses
Ao contrário do que o senso comum poderia levar a pensar, um bebé com seis meses possui a capacidade de enganar e mentir. Naturalmente que tal não acontece com a intenção de prejudicar terceiros, mas sim para obter a satisfação de desejos. Esta é a convicção de Vasudevi Reddy, investigadora da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido e autora de um estudo sobre esta matéria.
«Um choro fingido, ou seja sem um motivo directo, é uma das primeiras formas de mentira e os bebés usam-no para obter atenção, mesmo quando nada de errado se passa com eles», afirma a psicóloga, adiantando: «isto é fácil de observar porque a criança pára, para observar a reacção dos adultos, antes de voltar a chorar». Esta estratégia é semelhante «a uma mentira, embora sem a carga moral», afirma Reddy. Até agora, acreditava-se que o cérebro dos bebés não era suficientemente desenvolvido para praticar com êxito a difícil ‘arte’ da mentira e que só por volta dos quatro anos tal sucedia. E se fingir choro e riso são as primeiras práticas, aos oito meses os bebés aprendem a esconder actividades proibidas e a distrair a atenção dos pais. E aos dois anos sabem fazer «bluff» perante um castigo, por exemplo dizendo «não me importo», quando claramente estão incomodados com a punição.
Crianças em risco de deficiência de vitamina D
Cerca de 55 por cento das crianças aparentemente saudáveis podem apresentar deficiências de vitamina D e estar em risco elevado de osteoporose e outros problemas de saúde na idade adulta. Segundo os investigadores do Laboratório de Nutrição e Crescimento do Hospital Pediátrico de Filadélfia – que levaram a cabo um estudo junto de 382 crianças sem problemas graves de saúde – a fortificação dos alimentos, para além do leite, com vitamina D «deve ser explorada, uma vez que muitas crianças não consomem quantidades suficientes de leite para atingir as necessidades de cálcio e vitamina D».
A potencial redução da osteoporose, uma doença que afecta mais de 75 milhões de pessoas na Europa, Estados Unidos e Japão, tem sido abordada preferencialmente a nível da nutrição feminina na adolescência e na fase pré-menopáusica. Os cientistas defendem que essa prevenção comece muito antes, com a aposta em substâncias enriquecidas e numa dieta que privilegie a ingestão de alimentos como peixes gordos, de ovo, fígado e claro não esquecendo o leite.
Dieta ajuda a combater azia na gravidez
Um dos incómodos mais comuns durante a gravidez, em especial no primeiro trimestre, é o da azia que, nos casos mais graves, pode causar desconforto desde a região do estômago até à boca. Isto acontece devido à produção da hormona progesterona, destinada a amaciar o músculo do útero, mas que também relaxa a válvula que separa o esófago do estômago, deixando subir os ácidos gástricos.
Por outro lado, a progesterona abranda a digestão, o que, aliado ao posicionamento do bebé no útero, agrava os sintomas. Uma das estratégias mais simples para combater o ardor consiste em seleccionar os alimentos: as grávidas devem evitar pratos condimentados, picantes e fritos. Outra boa opção é multiplicar o número de refeições, procurando não ingerir água nesses momentos.
Em contrapartida, torna-se ingerir oito a dez copos de água diariamente, mas sempre no intervalo das refeições. Por fim, como solução de emergência, convém ter sempre à mão uma pastilha elástica, já que ao mascar é produzida uma maior quantidade de saliva, que combate os ácidos.
Trave as dentadas do seu filho
Muitas crianças até aos dois anos de idade habituam-se a morder nos adultos e noutros meninos ao menor pretexto ou oportunidade. Como morder em resposta não só é contraproducente como perigoso, aqui ficam dicas para acabar com as dentadas.
Em primeiro lugar, as mordidelas podem servir de alívio para as gengivas irritadas pelo nascimento dos dentes: neste caso o melhor a fazer é arranjar superfícies alternativas. Por outro lado, morder é igualmente uma alternativa de expressão, quando falta o vocabulário ou ainda não se aprendeu a falar. Tente perceber o que o seu filho deseja e deixe claro que não o pode obter – seja colo, um alimento ou brinquedo – enquanto optar pelas dentadas. Mas arme-se de uma boa dose de paciência, já que os bebés tardam a compreender que morder é errado.
A escolha da mão preferida
A maioria dos bebés até aos nove meses usam indiscriminadamente a mão esquerda ou a direita nos seus gestos quotidianos e os pais não devem esperar qualquer definição sobre se o seu filho é dextro ou canhoto antes dessa altura. Por outro lado, os especialistas desaconselham fortemente que se pressione a criança a optar mesmo após passados os três primeiros trimestres, uma vez que vários estudos demonstram que a escolha definitiva poderá acontecer até aos cinco ou seis anos.
Nessa altura, naturalmente que quem usa a mão esquerda fica em minoria, mas há ainda menos meninos ambidextros, para quem ambas as mãos são igualmente confortáveis.

 

Dezembro/2007
Televisão e problemas comportamentais
Estudos recentes, efectuados por especialistas americanos mostram que as crianças diariamente expostas a várias horas de televisão, estão particularmente sujeitas a desenvolver problemas comportamentais. Uma redução drástica dessa exposição, dizem, anula esses mesmos efeitos.
Neste sentido, a Academia Americana de Pediatras recomenda que as crianças com menos de 2 anos não devem ver televisão, e que as mais velhas não devem fazê-lo mais do que uma ou duas horas por dia. Televisão no quarto é, simplesmente, proibido.
Dormir bem, a chave da saúde
Rachel Walford, cientista da Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, levou a cabo um estudo com 32 crianças de seis e sete anos, com o intuito de estudar o desenvolvimento neurocognitivo através da forma como se exprimiam do ponto de vista fonético. Os resultados mostraram que as crianças que não dormiam o suficiente tinham tendência a falar de forma incorrecta, do ponto de vista fonético.
A experiência evidenciou também que essa carência de sono era extensiva a um largo número de crianças. No geral, diz a cientista, mesmo os mais pequeno dormem uma hora a menos do que seria desejável, por noite. Ao longo de uma semana, a falha sistemática de sono contribui para quebras graves na função neurocognitiva, revelou Walford. E os primeiros anos de escola são «janelas» cruciais do conhecimento que determinam a futura aprendizagem. «Além disso», sublinha, «é imperativo que crianças desta idade descansem o suficiente para aguentarem os desafios e as necessidades de um dia de escola».
Especialistas nesta áreas recomendam que as crianças em idade pré-escolar durmam de 11 a 13 horas de sono por noite, e que as que já frequentam a escola, entre 10 e 11 horas por noite.
Pulseira electrónica para recém-nascidos
O Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, está a colocar pulseiras electrónicas nos bebés, um sistema em fase experimental que pretende proteger os recém-nascidos de raptos, detectando todos os seus movimentos. «Este sistema permite, através da aplicação de uma pulseira electrónica no tornozelo do recém-nascido, detectar de forma automática e sem fios todos os movimentos do bebé. A vigilância é invisível, silenciosa e contínua 24 horas por dia, garantindo assim protecção e tranquilidade ao bebé e à mãe». O sistema de segurança contra rapto de crianças adoptado pelo hospital é um dos mais utilizados em todo o mundo, devido à tecnologia de ponta utilizada e à sua fiabilidade, sendo também «amigo» do bebé, pois a pulseira é pequena, leve e ergonómica.
«Currículo» para bebés
O governo britânico elaborou recentemente uma lista de patamares de desenvolvimento infantil, cuja monitorização será obrigatória, a partir de Setembro de 2008, para as crianças que frequentem creches e jardins de infância. Altamente pormenorizado, o documento inclui mais de meio milhar de indicadores sobre «metas» a atingir à medida que as crianças vão ficando mais velhas.
Desde a capacidade de virar a cabeça ao ouvir a voz da mãe – nas primeiras semanas – até ao uso de frases compostas – por volta dos dois anos – tudo deverá ser vigiado por profissionais, sob pena da retirada dos apoios estatais às instituições que não preencherem o «perfil dos primeiros anos».
É precisamente esse aspecto que mais polémica tem levantado já que, até agora, esta tarefa, embora largamente realizada, era facultativa e possuía um número muito menor de exigências. Alheia às críticas, Beverley Hughes, titular do ministério britânico da Criança, afirma: «os primeiros anos são cruciais no desenvolvimento infantil e é consensual que atender a essas necessidades, por via de um conhecimento profundo, leva a um futuro mais risonho no campo escolar e nas hipóteses de vida.»
Hospital de D. Estefânia recebe prémio de qualidade
O Hospital D. Estefânia, em Lisboa, recebeu o I Prémio Merck Serono de Gestão da Qualidade em Saúde por ter reduzido em 60 por cento a taxa de infecções provocada pela utilização de cateteres em recém-nascidos.
O galardão visa incentivar a implementação de medidas de gestão da qualidade, que levem a uma melhoria nos cuidados de saúde portugueses. A chefe da equipa da Unidade de cuidados intensivos neo-natais, Micaela Serelha, destacou à agência Lusa a importância do prémio por ser atribuído numa área que a sua equipa «sempre privilegiou, que é o controle de infecção hospitalar, a que é adquirida durante o internamento».

 

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