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SEGURANÇA EM CASA | ACIDENTES MAIS COMUNS DURANTE A INFÂNCIA | COMO TORNAR A CASA MAIS SEGURA | MEDIDAS PARA PREVENIR OS ACIDENTES | COMO AGIR EM CASO DE ACIDENTE | O PERIGO DOS ANDARILHOS

SEGURANÇA EM CASA

Uma casa que não esteja pensada para as crianças pode vir a demonstrar-se uma verdadeira armadilha. Cabe, por isso, aos pais e adultos em geral tomar as precauções necessárias para minimizar os riscos de acidentes, garantindo às crianças um crescimento feliz e seguro.

Todos os anos são assistidas centenas de crianças em hospitais, devido a acidentes ocorridos em casa, muitas vezes na presença dos pais e/ou de outros adultos. Grande parte destes acidentes têm consequências muito graves, que obrigam a criança a ficar internada, a ser submetida a intervenções cirúrgicas, deixando sequelas para o resto da vida.

Pior ainda, muitos acidentes são mortais. Obviamente, é impossível prevenir todos os acidentes porque as crianças são imprevisíveis e não tem a mínima noção dos perigos. No entanto, a maioria dos acidentes com consequências graves podem ser evitados. Para isso, é urgente criar uma casa mais segura, onde a criança se possa movimentar livremente, sem correr riscos inúteis.
De um dia para o outro, a criança passa a rebolar na cama, a trepar pela cadeira que está perto da janela, a chegar ao armário dos remédios. Se este desenvolvimento não for previsto, é natural que os pais venham a ter algumas surpresas desagradáveis. Além disso, o ambiente onde a criança vive nem sempre está adequado ao seu desenvolvimento. Mas uma casa deve ser organizada em função da criança, para que esta cresça em segurança.

ACIDENTES MAIS COMUNS DURANTE A INFÂNCIA

Os acidentes infantis variam muito em função da idade e do desenvolvimento das crianças. Infelizmente, muitos acidentes acontecem logo nos primeiros meses de vida.

Quedas

Muitos casos de quedas ocorrem com bebés muito pequenos. Os pais partem do princípio que o bebé não se mexe e deixam-no em locais pouco seguros. Basta o bebé fazer um pequeno movimento para cair. Acontece também com muita frequência os bebés serem transportados pelos pais nas cadeiras de carro com pega (tipo cesto), sem o cinto estar apertado. Se a pega não estiver fixa ou se houver um movimento mais brusco, com facilidade a cadeira se vira e o bebé cai.

As quedas são, também, uma das causas de acidentes quando a criança começa a gatinhar.
Com o desenvolvimento da mobilidade, a criança torna-se quase incontrolável. Tenta trepar cadeiras e mesas, para alcançar algo que lhe chame a atenção, quer espreitar pela janela ou pela varanda, ou aventurar-se nas escadas. Os resultados de tanta energia e curiosidade são, normalmente, quedas com consequências variadas, desde o simples arranhão aos traumatismos complicados, com direito a internamento hospitalar. Muitas vezes, a queda é mortal.

Queimaduras

As crianças são mais sensíveis do que os adultos a queimaduras e escaldões, mesmo com temperaturas mais baixas. Quando começa a gatinhar, a criança consegue chegar à porta do forno, que está quente, ou consegue puxar o fio do ferro de engomar, que lhe cai em cima.
A panela da sopa que cai do fogão, a água do banho que está a ferver ou o grelhador deixado sem vigilância por uns minutos são apenas alguns exemplos de situações que podem transformar a vida de uma criança para sempre. As sequelas deixadas pelas queimaduras são graves e, muitas vezes, irreversíveis.

Electrocussão

A electrocussão é outro dos acidentes mais comuns quando as crianças começam a gatinhar.

É muito fácil para uma criança enfiar os dedos na tomada eléctrica ou mexer num fio descarnado. Mas estas não são as únicas formas de se apanhar um choque. Um aparelho que cai na água do banho, por exemplo, pode ser fatal. Os choques eléctricos devem ser examinados por um médico, porque os danos podem não ser visíveis, mas são, de certeza, graves.

Afogamentos e quase afogamento

O fascínio que as crianças pequenas têm pela água obriga os pais a redobrarem os seus cuidados. De facto, basta uma pequena quantidade de água e um curto espaço de tempo para a criança se afogar. Um acidente dentro de água pode ser mortal ou provocar danos cerebrais irreversíveis, se a criança ficar muito tempo sem oxigénio no cérebro.
Os afogamentos ou quase afogamentos acontecem com muita frequência na hora do banho, quando os pais viram as costas por um momento. Mas também são comuns em piscinas, lagos (nos jardins), ou tanques de rega.

Intoxicações e envenenamento

Muitas crianças morrem ou ficam com lesões internas para toda a vida devido à ingestão de produtos tóxicos. Os medicamentos são os principais responsáveis por intoxicações nas crianças. Mas não são os únicos. Os produtos usados na limpeza da casa lixívias, detergentes e os raticidas, pesticidas e insecticidas são também responsáveis por grande número de intoxicações e envenenamento de crianças, sendo os pesticidas os mais mortais.

COMO TORNAR A CASA MAIS SEGURA

A cozinha é uma das zonas mais perigosas da casa. Cerca de 80% das queimaduras em crianças com menos de 5 anos acontecem nesta divisão da casa. Além disso, é também na cozinha que, normalmente, se guardam os detergentes, muitas vezes ao alcance das crianças.

A varanda também é perigosa, porque a criança tem muita curiosidade em ver o que se passa na rua e facilmente se precipita e cai. As escadas são outra zona da casa onde acontecem muitos acidentes, assim como os locais ao ar livre com piscinas, poços ou tanques. De uma maneira geral, todas as zonas da casa apresentam riscos, porque existem tomadas eléctricas, janelas, móveis para serem trepados, gavetas com objectos cortantes...

Para tornar a sua casa mais segura, é importante antecipar as várias fases do desenvolvimento da criança. Por isso, o ideal será percorrer a casa com muita atenção, de preferência de gatas, porque só assim o adulto consegue ter a mesma perspectiva da criança e encontrar potenciais perigos.
Por exemplo, as toalhas de mesa, aparentemente tão inofensivas, podem tornar-se perigosas porque, quando são puxadas pela criança, trazem atrás os pratos, os copos e, principalmente, a comida quente. Será, por isso, melhor optar por individuais e guardar as toalhas de mesa para mais tarde. Outro exemplo é o mobiliário.

Quando as crianças começam a andar, apoiam-se muitos nos móveis. É aconselhável ter a certeza que estão fixos, são estáveis e que não caem nem se deslocam quando a criança se segura. Mas isto deve ser conferido antes de a criança dar os primeiros passos e não depois.

MEDIDAS PARA PREVENIR OS ACIDENTES

Apesar de ser impossível criar uma casa totalmente à prova de acidentes, devem ser tomadas uma série de medidas que tornarão o local onde vive mais seguro para os seus filhos.

• Quando prepara o banho da criança, deixe correr primeiro a água fria e só depois a água quente. Muitas queimaduras acontecem porque a água vem a ferver da torneira.

• As lareiras, os radiadores e outras fontes de calor devem ser protegidos. Não deixe fósforos, isqueiros ou outros objectos que produzam fogo ao alcance das crianças.

• Vire sempre as pegas dos tachos e das frigideiras para a parede e use, preferencialmente, os bicos de trás do fogão. Não pegue em bebidas quentes ao mesmo tempo que pega no seu filho ao colo. Basta um movimento brusco para a bebida lhe cair em cima e a queimar.

• Guarde os tóxicos e os medicamentos fora do alcance das crianças, em lugares altos ou em armários fechados à chave e não deixe as embalagens abertas por um instante que seja. Basta um minuto de distracção para a criança levar o detergente à boca.

• Nunca use as embalagens de sumos ou de produtos alimentares para guardar detergentes ou outros tóxicos. A criança pode ser induzida em erro e ingerir o produto por engano. Prefira os produtos que têm embalagens com tampas de segurança. Estas tampas não são totalmente seguras, porque a criança, muitas vezes, acaba por as conseguir abrir. Mas, como são mais difíceis, dão tempo aos pais para intervir.

• Nunca deixe os seus filhos no banho sem vigilância, nem que seja por uns segundos. E não os perca de vista sempre que estão a brincar perto da água. Tenha muito cuidado com jardins que tenham lagos, piscinas, poços ou tanques. A curiosidade das crianças pode ser fatal. É conveniente saber reanimar uma criança que tenha água nos pulmões.

• As barreiras de segurança nas escadas, os limitadores da abertura nas janelas, ou protecções nas varandas são alguns dos objectos de segurança que devem ser usados para evitar quedas mais graves as de grande altura. Nunca deixe cadeiras ou outros móveis debaixo de janelas.

• Nas escadas, use cancelas de protecção para a criança não se precipitar. O corrimão das escadas deve ter, pelo menos, 1,10m de altura e os seus barrotes devem ser verticais os barrotes horizontais convidam a criança a subir e não devem ter mais de dez centímetros de separação entre si. Use antiderrapantes nos degraus para evitar escorregadelas.

• Verifique sempre a estabilidade das peças de mobiliário do seu filho: a cadeira onde lhe dá de comer, o berço, ou a altura da protecção do beliche (uma criança com menos de seis anos não deve dormir na cama superior do beliche).

• Certifique-se que os artigos que pretende comprar para os seus filhos (o berço, a cama, os brinquedos, etc.) obedecem a normas de segurança europeias, porque assim tem mais uma garantia em relação à qualidade dos produtos.

• Verifique a instalação eléctrica da sua casa e substitua as fichas, as tomadas e os fios que se encontram em mau estado. Arranje uma forma de esconder as tomadas e as ligações eléctricas, para não chamar a atenção da criança. Opte por colocar protectores nas tomadas que só são retirados com uma ventosa ou com uma chave, para não haver possibilidade de a criança os retirar.

• Não deixe as crianças brincarem com objectos muito pequenos que possam ser inalados ou engolidos. Não deixe sacos de plástico perto das crianças, pois existe o risco de asfixia.

• Tenha muito cuidado com facas, tesouras ou outros objectos cortantes, mantenha-os sempre longe das crianças.

• Não as deixe terem acesso a pilhas. As fugas do líquido podem provocar queimaduras e a sua ingestão pode provocar intoxicação, além de se correr o risco de explosão.

COMO AGIR EM CASO DE ACIDENTE

A principal advertência, em caso de acidente, é que os pais actuem com calma. É conveniente que tenham algumas noções básicas de primeiros socorros, para que se evite um comportamento espontâneo que possa agravar a lesão.
Aprender a estancar uma hemorragia, a fazer uma massagem cardíaca ou respiração artificial é fundamental, sobretudo quando uma vida está em jogo.

Em caso de acidentes graves, a correcta actuação dos pais e dos adultos é crucial, mas não podemos esquecer que a criança precisa da atenção imediata de uma unidade de assistência especializada. Muitos acidentes, como as electrocussões ou as intoxicações, por exemplo, podem parecer menos graves do que são, na realidade, e uma demora pode acarretar consequências fatais e irreversíveis.

Existem alguns números de telefone úteis nestes casos, para além do 112:
CIAV (Centro de Intoxicações) – 21 795 01 43
Linha Saúde 24 – 808 24 24 00

O PERIGO DOS ANDARILHOS

É importante que os pais e adultos tomem consciência que os andarilhos (mais conhecidos por «aranhas» ou «voadores») são extremamente perigosos e causadores de um número exagerado de acidentes com consequências graves.
Para além de não oferecer qualquer benefícios em termos de desenvolvimento, uma criança dentro de um andarilho está sujeita a uma série de acidentes, muitos deles gravíssimos.

O andarilho permite à criança uma mobilidade anormal para o seu desenvolvimento, que ainda não consegue controlar. Torna-se muito difícil para os adultos acompanhar a velocidade que a criança atinge no andarilho, de forma a evitar um acidente. Por isso, dar um andarilho a uma criança é o mesmo que a colocar numa «armadilha».

São muitos os casos de acidentes provocados por andarilhos:

• Quedas de escadas;
• Contusões graves (quando a criança choca a uma grande velocidade com móveis);
• Afogamento (quando há piscinas por perto);
• Entalões e traumatismos, porque as mãos, as pernas ou os braços ficam presos nas portas, nos móveis, ou no próprio andarilho;
• Queimaduras, porque a criança vai de encontro a uma pessoa que tem um tacho de comida a ferver na mão, ou cai para a lareira.



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