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MEDITAÇÃO E RELAXAMENTO NA GRAVIDEZ | O BEBÉ MÊS A MÊS | O QUE ACONTECE EM 9 MESES | VIAJAR GRÁVIDA | QUE ENJOO! | HEMORRAGIAS DURANTE A GRAVIDEZ | NOITES EM BRANCO | OS PRIMEIROS PONTAPÉS | OS ÚLTIMOS DIAS | VIGILÂNCIA MÉDICA | A GRAVIDEZ E O SEXO | GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA | GRAVIDEZ AOS 40 | MENINO OU MENINA | UTILIDADES

MEDITAÇÃO E RELAXAMENTO NA GRAVIDEZ

Embora a meditação possa ser feita em silêncio, também é possível fazê-la ao som de uma música suave e harmoniosa. As técnicas são imensas, mas o objectivo final é comum a todas elas: atingir um estado de relaxamento que alivie as tensões, a liberte do stress do dia-a-dia e contribua para lidar melhor com os problemas e encarar a vida com mais calma. Ao contrário do que muitos poderão pensar, não são necessários cursos nem aulas para aprender a meditar. Afinal, todos nós somos seres meditativos por excelência e meditar é, antes de mais, ir ao encontro de nós mesmos através de um diálogo interior.

Qualquer fase é boa para iniciar a prática da meditação e não há nenhuma contra-indicação para que o faça durante a gravidez. Antes pelo contrário, já que muitas das ansiedades próprias deste «estado de graça» podem ser atenuadas com esta prática. O ideal seria que conseguisse meditar durante, pelo menos, meia hora por dia. No entanto, este período de tempo é flexível e dependerá acima de tudo do seu estilo de vida e da sua disponibilidade.

Seja qual for o tempo que tem, faça dele um momento realmente relaxante. Certifique-se de que não vai ser interrompida por ninguém, desligue o telefone e o telemóvel. Ponha uma música suave e harmoniosa e encontre uma posição confortável. Feche os olhos e vire as palmas das mãos para cima. Inspire e expire profundamente até se sentir descontraída. À medida que vai respirando, sempre calma e profundamente, imagine que cada inspiração traz luz e energia para si e para o seu bebé, enquanto cada expiração a liberta do cansaço e do stress, ou de qualquer angústia ou ansiedade que exista no seu coração.

Pode depois imaginar o seu bebé. Ver-se, por exemplo, com ele ao colo, imaginando os traços do seu rosto e o cheiro da sua pele. As emoções que experimentamos num estado de relaxamento, e ainda que apenas imaginadas, são tão reais como as que vivenciamos de facto. O que significa que imaginar o bebé que ainda não chegou pode, por um lado, contribuir para atenuar certos medos — o medo do parto, o medo de ter um recém-nascido para cuidar pela primeira vez... — e, por outro, ajudá-la a antecipar o momento tão desejado em que o vai ter nos braços, enchê-lo de beijinhos, embalá-lo... Se, porém, tudo isto lhe parece demasiado complicado ou inusitado, limite-se a utilizar a música para, pura e simplesmente, relaxar. Vários especialistas recomendam que, ao longo da gravidez, as futuras mães reservem um período do dia para descansar ao som de uma melodia. Faz bem ao corpo, à alma... e o que é bom para si também garante o bem-estar do bebé.

O BEBÉ MÊS A MÊS

Até às 6 semanas: Às 6 semanas de gravidez, o bebé tem o nome de embrião. A cabeça é rudimentar e, na sua base, há pregas em forma de guelra que mais tarde vão formar a face. Os pequenos «botões» que saem de cada um dos lados do embrião vão mais tarde dar origem aos braços e às pernas. O coração é minúsculo, mas a circulação já se faz através dos vasos sanguíneos. Algumas células mais escuras estendem-se ao longo do dorso do embrião: é a base da medula espinal e do sistema nervoso. Mede 4 mm e pesa menos de 1g.

Das 6 às 9 semanas: O pequeno embrião nada num saco cheio de liquido amniótico. O seu corpo começa a endireitar-se, a cabeça tem uma forma mais bem definida, vêem-se as orelhas, o nariz e a boca. O coração bate agora a cerca de 180 pulsações por minuto, duas vezes a velocidade de um coração adulto. O intestino e o estômago desenvolvem-se, embora ainda não funcionem. Aparecem os primeiros movimentos, mas a mãe ainda não consegue senti-los. Mede 3cm e pesa 11g.

Das 9 às 12 semanas: O embrião é agora denominado por feto e parece já um minúsculo ser humano. A cara é a de um bebé, com pálpebras e tudo. Tem dois braços e duas pernas em miniatura, com dedos nas mãos e nos pés e as unhas começam a crescer. É nesta altura que se forma o fígado. O estômago está ainda ligado à boca e aos intestinos. O coração está formado e funciona, bombeando sangue para todas as partes do corpo. A ossificação do esqueleto prossegue. Forma-se a coluna vertebral. Mede 10cm e pesa 45g.

Das 12 às 16 semanas: Começam a crescer-lhe sobrancelhas, ainda muito finas, e pestanas. Na língua, aparecem as papilas gustativa. O bebé ouve os primeiros sons e pode mexer-se livremente, pois ainda tem muito espaço. Assim, pode estar de cabeça para baixo num minuto e de cabeça para cima no minuto seguinte. Os rins já funcionam e faz chichi para dentro do líquido amniótico. Do lado de fora, na consulta, a mãe já poderá ouvir o coração a bater. Mede 15 cm e pesa 130g.

Das 16 às 20 semanas: A circulação do sangue faz-se agora completamente. A pele está coberta por uma penugem fina (a que se dá o nome de lanugo) e o feto já tem impressões digitais. Os primeiros dentes formam-se no interior da gengivas e já consegue engolir, «treinando» com o líquido amniótico. Gosta de chuchar no dedo e, quando o vir na ecografia das 20 semanas, vai ver como já se parece com um bebé a sério… Mede 25cm e pesa 340g.

Das 20 às 24 semanas: Os olhos do bebé abrem-se entre as 22 e as 24 semanas. Nesta fase, já dá pontapés (que a mãe pode ou não sentir), chucha no dedo, abre e fecha a boca e reage aos movimentos e ruídos fortes. Dorme entre 18 a 20 horas por dia. Todos os seus órgãos principais (excepto os pulmões) já funcionam e chegou a altura dos músculos surgirem. As feições estão praticamente definidas. Mede 30cm e pesa 1kg.

Das 24 às 29 semanas: O corpo do bebé está coberto de uma substância gordurosa isoladora. Os pulmões já desenvolveram a maior parte das vias respiratórias e os alvéolos. Já abre e fecha os olhos, ouve bem os ruídos exteriores e começa a sentir-se apertado, por isso os seus movimentos podem tornar-se visíveis mesmo do exterior (ondulação do abdómen). O sistema nervoso aperfeiçoa-se. Se nascer agora, o bebé poderá sobreviver, mas precisará de cuidados especiais. Mede 40cm e pesa 1,5kg.

Das 29 às 35 semanas: A cada dia, o bebé cresce um pouco e fica mais gordo, acumulando gorduras. O tamanho da cabeça é agora proporcional ao corpo. Os olhos abrem e fecham automaticamente e a pele torna-se cor-de-rosa. Chegou a altura de se virar de cabeça para baixo, preparando-se para se encaixar (o que nem sempre acontece!). Mede 45cm e pesa 2,5kg.

Das 35 às 40 semanas: O lanugo desapareceu quase completamente e a pele está mais macia e mais fina. É a chamada «fase da engorda». Ao mesmo tempo que cresce, o bebé aperfeiçoa todas as suas funções, o seu nível de consciência e a sua coordenação motora estão estabelecidos. O líquido amniótico renova-se de 3 em 3 horas. O coração bate a um ritmo de 110-150 pulsações por minuto. Está pronto para nascer! Dentro de pouco tempo, dará os primeiros sinais. Espera-o uma nova etapa cá fora. Mede 50cm e pesa cerca de 3kg.

O QUE ACONTECE EM 9 MESES

Ao longo dos 9 meses de gravidez, acontecem muitas coisas. O corpo da mãe muda, cresce, transforma-se, torna-se redondo. Saiba o que se passa realmente em cada trimestre.

O primeiro trimestre

Provavelmente, nestes três primeiros meses, ninguém irá reparar na sua barriga. A não ser que conte a todos que está grávida! Mesmo assim, o embrião que cresce lá dentro ainda não se vê por fora...

Quais os principais sintomas desta fase?
O peito fica mais sensível e doloroso, sobretudo no duche, quando se ensaboa. Podem surgir algumas náuseas e/ou vómitos, normalmente pela manhã. Se tem tendência para tensão baixa, podem também ocorrer desmaios. O sono faz também parte destes primeiros tempos. Quanto ao estado emocional, é perfeitamente normal sentir-se ansiosa e apreensiva e, ao mesmo tempo, super feliz.

Quais os problemas que podem surgir?
Pequenas hemorragias, que podem não ser nada ou representar o início de um aborto. Aconselhe-se com o médico sobre o que fazer. Talvez tenha de ficar deitada e quieta, pelo menos até passar o terceiro mês. Normalmente, não são administrados medicamentos nestes casos. Se a natureza resolver expelir o embrião, é porque alguma coisa não corre bem com ele.

Quais os exames e análises que se devem fazer?
O primeiro de todos, como é óbvio, é o teste de gravidez. Um pouco de urina — de preferência a primeira da manhã — é o suficiente para lhe dar uma indicação precisa. Depois de confirmadas as suspeitas, será então necessário fazer algumas análises ao sangue: grupo sanguíneo, hemograma (para ver eventuais infecções ou anemias), RH (e mais umas análises se for RH negativo), procura de açúcar e/ou albumina na urina. São ainda aconselhadas análises para despiste da rubéola, da toxoplasmose da SIDA e da Hepatite B. A primeira ecografia é também realizada nesta altura, mais exactamente entre a décima e a décima segunda semana de gestação.

A não esquecer!
• Ir ao médico assim que souber que está grávida.
• Tratar da papelada no Centro de Saúde para que fique tudo registado num processo próprio e lhe indiquem os passos a seguir.
• Moderar o ritmo de actividade, no caso de ser uma daquelas mulheres que trabalham muito mais do que devem.
• Cortar — ou reduzir drasticamente — o consumo de tabaco e de bebidas alcoólicas.
• Consultar o médico acerca de alguma medicação que esteja a fazer.

O segundo trimestre

Agora sim, já ninguém pode passar por si sem reparar que está grávida. O segundo trimestre — ou os meses do meio — são a melhor fase da gravidez. Aproveite-os bem!

Quais os principais sintomas desta fase?
É por esta altura que vai ter a emoção de sentir o seu bebé a mexer-se. E olhe que é realmente uma emoção! Em princípio, os enjoos do primeiro trimestre já começaram a desaparecer e sente-se mais revigorada. É, no entanto, é natural que tenha algumas dores nas costas (ou nas chamadas «cruzes») e que sinta os intestinos mais preguiçosos do que é costume. Beba muita água e abuse dos legumes e das fibras. A pele estará radiosa e os cabelos brilhantes.

Quais os problemas que podem surgir?
Se sofre de diabetes ou hipertensão, é necessário que redobre a atenção. O seu médico seguramente estará também atento e dir-lhe-á como agir. Embora as hemorragias sejam muito mais raras durante o segundo trimestre, isso não significa que não possam surgir. Consulte imediatamente o médico se assim for. A azia começa também a dar os primeiros sinais nesta fase. Coma mais vezes por dia e menos de cada vez.

Quais os exames e análises que se devem fazer?
A segunda ecografia é feita, mais ou menos, às 20 semanas. Se não soube o sexo do bebé na primeira, é bem possível que nesta ele ou ela se desvendem. É também a partir desta ecografia que se podem despistar eventuais problemas. Se tiver mais de 35 anos, ou algum antecedente que o justifique, o médico poderá pedir-lhe uma amniocentese (que costuma ser feita pelas 16 semanas) e que consiste na análise de um pouco de líquido amniótico. Deverá repetir também o hemograma e as análises que permitam despistar albumina e/ou açúcar na urina.

A não esquecer!
Continue a ir à consulta todos os meses. Mesmo que se sinta bem, não falhe! Por volta do sexto ou sétimo mês inscreva-se num curso de preparação para o parto e, se for o caso, leve o seu marido consigo. Durante as aulas, poderá não só fazer a ginástica de preparação, como aprender toda a «teoria» do trabalho de parto (mesmo que, depois, a prática seja outra coisa…).

O terceiro trimestre

À medida que o fim do tempo se aproxima, terá tendência para se sentir mais cansada. O que não admira, pois a barriga cresce a cada dia e torna-se cada vez mais difícil andar, dormir, até respirar...

Quais os principais sintomas desta fase?
Embora seja óbvio que a barriga tem de crescer, isso não significa que não lhe vá dificultar os movimentos. Conte com menos margem de manobra, portanto. Também por causa dessa barriga, a bexiga, que está comprimida pelo bebé, vai fazer com que ande sempre a correr para a casa de banho. As pernas e pés podem inchar, por isso, convém dar-lhes repouso e usar meias elásticas — também para evitar o aparecimento de varizes, caso tenha problemas de circulação.
Quanto às noites, dormir pode tornar-se uma tarefa difícil. Encontre a melhor posição com a ajuda de muitas almofadas (nas pernas, nas costas, onde lhe derem jeito…). Por volta do sétimo mês, pode começar a sentir contracções uterinas — a pele da barriga estica e fica dura, mas não há dor. São contracções de ensaio. À medida que o nono mês se aproxima, tornam-se mais frequentes. É igualmente possível que sofra de ciática, de hemorróidas, de problemas de estômago e de varizes. Parece praga, não é? Mas acredite que há soluções para quase tudo…

Quais os problemas que podem surgir?
Pode haver um descolamento da placenta, o que obrigará a que o parto ocorra de imediato. Podem também intensificarem-se as contracções. Se for caso disso, o médico irá receitar-lhe um remédio para as «acalmar». Uma subida repentina de tensão pode também precipitar o parto. Esta é, de facto, a fase em que terá de ter mais cuidado, para que o seu bebé se mantenha na sua barriga até chegar a hora. O parto pré-termo — embora tenha hoje em dia uma enorme taxa de sobrevivência — deixa sempre algumas pequenas sequelas. Siga à risca as indicações do médico e descanse…

Quais os exames e análises que se devem fazer?
A terceira e última ecografia serve para ver se está tudo bem e se o bebé na posição certa. Se houver suspeita de perturbação da coagulação do sangue, faz-se uma prova de coagulação, para prevenir eventuais hemorragias durante o parto. É também costume fazer-se uma cardiotocografia (CTG) para medir a frequência cardíaca fetal e a actividade contráctil do útero e avaliar o bem-estar do feto. A partir das 40 semanas, pode ser indicado fazer um Perfil Biofísico Fetal, uma ecografia especial em que se avalia se o bebé está bem.

A não esquecer!
• Consultas mês a mês até 15 dias antes da data prevista para o parto. A partir daí, o médico poderá querer vê-la com mais frequência.
• Visite a maternidade onde quer ter o seu filho. Peça que lhe mostrem tudo (se é uma clínica, pergunte se há sempre anestesista, pediatra, incubadora etc... e pondere bem as condições de segurança). Combine com o médico o que fazer em caso de emergência.
• Pode deixar de trabalhar no nono mês e ficar com os restantes três (ou quatro) para depois do parto. No entanto, se se sente em forma, vá trabalhando sem grandes esforços... É uma óptima forma de aliviar o stress pré-parto.
• Em casa, vá treinando os exercícios e as respirações, mesmo que tenha decidido fazer o parto com anestesia epidural.
• Pense no percurso que terá de fazer para a maternidade em hora de ponta.

VIAJAR GRÁVIDA

Se seguir alguns conselhos simples, poderá viajar sem problemas. Basta que tome as precauções necessárias para que a viagem seja o mais agradável possível.

• Comece por arrumar a sua bagagem, evitando os excessos e os «desnecessários». Mesmo sabendo que o conceito de «absolutamente indispensável» é vago para a maioria das mulheres, acredite que é possível pô-lo em prática. O objectivo é não ter uma mala demasiado pesada. De preferência, deverá ser uma mala com rodas.

• Não stresse! Trate de tudo com antecedência para não ter de andar a correr à ultima hora. Vá preparada para possíveis contratempos: voos cancelados, bagagem perdida, um furo no pneu, uma enorme fila para o táxi...

• Não se esqueça da garrafa de água. Poderá pensar que uma garrafa de água se compra em qualquer esquina, mas nem sempre é assim. Se vai viajar de avião, e mesmo sabendo que há água a bordo, leve na mesma a sua garrafa.

• É provável que o horário das refeições não possa ser cumprido no dia da viagem. Leve, assim, qualquer coisa para mordiscar. Uma peça de fruta, umas bolachas integrais ou uma barra de cereais cabem sem esforço na carteira e podem revelar-se preciosas.

• Vista e calce roupa e sapatos confortáveis. Não se esqueça que a imobilidade provoca inchaço nos pés.

• Se viajar de carro, pare com alguma frequência, seja para ir à casa de banho (não deve esperar até ao último minuto), seja para distender as pernas e andar um pouco. Não convém fazer mais de duas horas seguidas.

• Se a viagem for de avião ou de comboio, levante-se com frequência e passeie pelo corredor para evitar o inchaço das pernas e dos pés.

QUE ENJOO!

Os enjoos ou náuseas que atacam muitas mulheres durante a gravidez raramente requerem tratamento médico. Mas se é verdade que não matam, o certo é que moem. Embora ainda não tenha sido encontrada explicação para este fenómeno, são conhecidas algumas armas para o combater! Todos associamos náuseas e vómitos aos primeiros sintomas de gravidez. E todos o fazemos porque são queixas muito frequentes, sobretudo durante os primeiros três meses. Apesar do incómodo que podem causar, os enjoos são geralmente limitadas ao período da manhã e existem medidas simples e de higiene alimentar que podem aliviar os incómodos de forma suficiente para permitir que sejam sintomas toleráveis.

Quando essas medidas não são suficientes, é possível recorrer a fármacos e, em casos muito graves e excepcionais, pode ser necessário o recurso a medidas que só se podem efectuar com hospitalização. Ninguém sabe ao certo qual a causa destes desagradáveis sintomas.

No início da gravidez, o ambiente hormonal da mulher modifica-se substancialmente, em parte graças a substâncias produzidas pelo feto e/ou placenta que têm como finalidade adaptar o organismo da mulher ao seu novo estado. Pensa-se serem essas alterações hormonais, sobretudo o aparecimento da gonadotrofina coriónica humana (hCG), o principal factor responsável pelos vários sintomas desagradáveis do início da gravidez.

Quando é que isto acaba?

Na maioria das mulheres, esses sintomas são ligeiros, toleráveis e tendem a desaparecer à medida que a gravidez progride. Depois do meio da gravidez, quase ninguém se queixa deles. O que é importante é ter a noção de que, mesmo nas situações mais graves, esses sintomas não põem a gravidez ou o feto em risco. O que se pode fazer para aliviar os vómitos? Nas situações mais frequentes, menos graves, podem efectuar-se uma ou mais das seguintes medidas:

- Ao levantar-se de manhã, faça-o lentamente e fique um pouco sentada antes de sair da cama. Pode até comer umas bolachas de água e sal ou tostas antes de se levantar.
- Ar fresco pode aliviar os sintomas. Abra a janela para apanhar um pouco de ar, dê um passeio matinal e, caso o tempo o permita, durma com a janela entreaberta.
- Os líquidos são necessários para repor as perdas. Beba líquidos com frequência durante o dia, em pequenas quantidades de cada vez, com pequenos goles. Chás frescos e bebidas gasosas açucaradas costumam aliviar os sintomas.
- Evite comer muito de cada vez. Coma 5 a 6 vezes por dia, de forma a nunca ter o estômago vazio. Coma pouco de cada vez e lentamente. Não se deite depois das refeições. Coma alimentos fáceis de digerir — bananas, arroz, doces e compotas, tostas, chá são alimentos em geral fáceis de tolerar e, no seu conjunto, contêm os nutrientes que lhe são necessários pelo que, em períodos de vómitos mais frequentes, pode alimentar-se exclusivamente destes alimentos.
- Evite cheiros que lhe despertem as náuseas – o tabaco é, frequentemente, um desses cheiros! Que tal aproveitar para deixar de fumar de uma vez por todas?
- É frequente prescrever-se um suplemento de ferro em comprimidos às grávidas, normalmente a partir das 20 semanas ou antes, caso se verifique haver carência em ferro. Os comprimidos de ferro, por vezes, causam náuseas e mesmo vómitos. Verifique se é esse o seu caso e, se assim for, tome os comprimidos após as refeições (se os tomava antes, como é recomendado pelo facto de terem uma melhor absorção) ou peça ao seu médico uma outra formulação.
- Finalmente, se nada disto funcionar, procure o seu médico, para que este lhe prescreva medicação que, na maioria dos casos um pouco mais renitentes, é suficiente para controlar, ou pelo menos minorar, os sintomas.

Em alternativa, algumas pessoas melhoram com acupunctura, pulseiras anti-enjoo ou técnicas de hipnose.

Quais os sinais de alarme que devem levar a procurar o médico?

Como se disse atrás, por vezes, apesar de todos os cuidados que se enumeraram terem sido praticados, os vómitos não melhoram. Podem ser tão persistentes que, por um lado, vão-se perdendo líquidos e, por outro, não há absorção dos alimentos ou líquidos que se ingerem.
Nestas circunstâncias, a grávida pode, inclusivamente, ficar desidratada e ter alterações na composição química dos líquidos corporais. Deve estar atenta aos sinais que surgem nessa situação porque serão necessários cuidados médicos hospitalares:

- diminuição da quantidade de urina, que parecerá muito escura (muito concentrada);
- vómitos que ocorrem sempre que come ou bebe qualquer coisa;
- tonturas ou sensação de desmaio ao levantar de repente;
- sentir o coração bater muito rapidamente;
- vomitar sangue.

Se apresenta estes sintomas, poderá estar com aquilo a que se chama «hiperemesis gravidarum», que se caracteriza, precisamente, por vómitos tão frequentes e intensos que causam desidratação e perda de peso. Se assim for, é necessário repor os fluídos e os sais perdidos, por via endovenosa, parar a ingestão oral e, eventualmente, fazer medicação de controlo dos vómitos mais potente do que aquelas que se podem fazer em casa. Nas situações mais graves, pode ser necessário ficar em pausa alimentar durante alguns dias.

Devem ser procuradas alterações da gravidez que podem causar este tipo de sintomas, se bem que, na maioria das vezes, se verifica que a gravidez é normal. Tudo isto só é possível em internamento hospitalar. Apesar de ser uma situação potencialmente grave, os cuidados médicos normalmente controlam a situação e a grávida acaba por ficar bem.

Destaque

A maioria das grávidas consegue ultrapassar os enjoos com algumas medidas simples. Caso os vómitos se tornem de tal forma graves e frequentes que causem sintomas de desidratação, deve recorrer a cuidados médicos urgentes.

HEMORRAGIAS DURANTE A GRAVIDEZ

Uma perda de sangue, seja qual for a fase da gravidez, é sempre motivo de ansiedade e medo. A boa notícia é que, na maioria dos casos, não passa de um falso alarme.

Os primeiros três meses

Qualquer perda de sangue que ocorra nos primeiros três meses de gravidez pode ser considerada «ameaça de aborto». Isso não significa que a sua gravidez esteja definitivamente em risco, pois só em 20% dos casos esta ameaça se concretiza. Se a perda for escassa, não implica cuidados imediatos, embora deva ser comunicada ao médico. Já a existência de uma hemorragia abundante, associada a uma dor intensa, requer uma observação imediata, que pode ser conclusiva, particularmente quando o aborto é inevitável.

Um dos meios utilizados é a ecografia, que pode ajudar o médico a perceber se ocorreu aborto e se este foi completo ou incompleto (se ainda persistir produto da concepção dentro do útero). A ecografia permite ainda a identificação de duas outras situações: a de aborto retido (embrião/feto não apresenta batimentos cardíacos numa fase da gestação em que já deveriam ser observados) e a de gravidez anembriónica (quando não se chega a observar formação do embrião).

Se a ecografia mostrar que o aborto é inevitável, ou que já ocorreu, mas de forma incompleta, pode ser necessária uma curetagem (procedimento efectuado sob anestesia, mediante o qual é removido o conteúdo do interior do útero). Nos casos de aborto retido ou de gravidez anembriónica, é possível que a mesma recomendação seja dada. Ambas são situações em que a gravidez não tem viabilidade, com evolução a curto prazo para o aborto espontâneo. A perda de uma gravidez na fase precoce (até às 12 semanas) indica, na maioria dos casos, que houve anomalias cromossómicas que levaram à inviabilidade embrionária/fetal. O aborto, nesta fase, constitui um espécie de processo de selecção natural, no qual não devemos intervir. Para ter uma noção de como uma gravidez evolutiva é verdadeiramente um milagre da vida, dir-lhe-emos que a percentagem de aborto atinge efectivamente os 60%, quando consideramos a gravidez desde o momento da concepção, havendo 2/3 destas gestações que nem chegam a ser diagnosticadas, isto é, nem chega a haver falta menstrual.

A hemorragia na fase inicial da gravidez pode ter outro significado?

Efectivamente, existem complicações mais raras que se podem expressar pela perda de sangue: a gravidez ectópica e a mola hidatiforme. A gravidez ectópica pode ocorrer em cerca de 2% das gestações e consiste na implantação do produto da concepção fora do útero. As trompas são o local mais frequente. Para além da perda de sangue, a grávida sente uma dor localizada lateralmente (diferente da menstrual) ou em todo o abdómen. O crescimento normal da gravidez numa trompa pode fazer com que esta distenda e acabe por ocorrer uma hemorragia, podendo a grávida notar desconforto abdominal generalizado e tonturas ou sensação de desmaio. Trata-se de uma gravidez que não é viável, sendo o objectivo de qualquer tratamento diminuir os riscos para a grávida. A avaliação clínica e ecográfica irão permitir determinar qual o tratamento a efectuar.

A mola hidatiforme consiste no crescimento e formação anómala do tecido placentar. Nestas gestações, pode não haver formação de embrião ou este pode apresentar alteração do número de cromossomas. É também uma gravidez sem viabilidade. Raramente esse tecido placentar anormal tem capacidade para se manter no seu organismo, mesmo após ter sido eliminado o produto de concepção, pelo que é importante que mantenha vigilância médica nos meses seguintes.

A segunda metade da gravidez

A perda de sangue após as 20 semanas de gravidez é seguramente menos frequente, complicando apenas cerca de 2 a 5% das gestações. Nesta fase, a perda de sangue deve ser avaliada com urgência, particularmente se for abundante e acompanhada de dor ou contracção, já que pode não só ser um risco para a mãe, como também colocar em causa a sobrevivência do feto. Em 60 a 70% dos casos, as perdas têm causa placentar. Pode haver uma localização baixa (muito próxima do colo do útero) ou mesmo tratar-se de placenta prévia (oclui o colo do útero, colocando-se «abaixo» do feto); neste último caso, se a situação persistir na fase final da gravidez, será necessário realizar uma cesariana.

Noutros casos, pode haver um descolamento de placenta que, raramente, pode ocorrer numa área considerável da placenta, comprometendo o aporte de oxigénio e nutrientes ao feto e colocando-o em risco. A grávida pode apresentar anemia grave e alterações da coagulação, pelo que se trata também de uma situação de risco materno. Em caso de descolamento significativo, costumam surgir contracções intensas e frequentes e, muitas vezes, o útero parece não chegar a relaxar. Tal situação deve constituir sinal de alerta. Convém não esquecer que a perda de sangue pode ter uma causa diferente e menos preocupante: uma inflamação do colo do útero, varizes na região vulvar e vaginal que podem sangrar enquanto efectua a sua higiene pessoal, pequenas hemorragias (sangue vivo ou acastanhado) acompanhadas de muco que surgem quando o seu colo do útero se começa a preparar para o parto.

Caso se encontre no último mês de gestação, esta situação não carece de atenção médica, desde que sem outros sintomas (contractilidade dolorosa ou perda de líquido amniótico, por exemplo). No entanto, antes deste período final, pode indicar uma ameaça de aborto tardio ou parto pré-termo, pelo que deve ser observada com brevidade.

NOITES EM BRANCO

Dormir bem durante a gravidez é, para muitas mulheres, um sonho. À medida que a barriga cresce, as noites podem tornar-se um pesadelo. Ou porque é preciso ir à casa de banho com mais frequência, ou porque não há posição confortável para a barriga, ou porque as costas doem, ou porque as cãibras não dão tréguas, ou porque o bebé não pára quieto, ou simplesmente porque a insónia se tornou uma rotina. Mas há estratégias para promover noites mais descansadas:

• Esqueça a cafeína – chás, cafés e refrigerantes com cafeína só são permitidos de manhã.
• Não beba muitos líquidos à noite – assim, evitará algumas idas à casa de banho.
• À noite faça uma refeição leve – se o estômago estiver demasiado cheio, o sono será perturbado. Por isso, opte por uma refeição leve e deite-se apenas depois de ter feito a digestão.
• Mantenha a rotina – as rotinas são importantes para os bebés, mas também para as grávidas. Procure deitar-se sempre à mesma hora, tome um banho quente, antes de dormir.
• Deite-se de lado – de preferência sobre o lado esquerdo, posição que garante uma circulação sanguínea mais amiga do bebé. Se não costuma dormir de lado, comece a praticar logo desde o início da gravidez.
• Abuse das almofadas – uma debaixo da barriga, uma entre as pernas, outra para abraçar... Só com várias almofadas, uma grávida consegue uma posição confortável.

OS PRIMEIROS PONTAPÉS

É por volta da sétima semana de gestação que o embrião começa a experimentar os primeiros movimentos. No entanto, só muito mais tarde a mãe pode senti-los. Essa sensação, que no início não é mais do que uma suspeita, costuma ocorrer entre as 14 e as 26 semanas.

As grávidas mais experientes — que esperam o segundo ou terceiro filho — têm mais facilidade em reconhecer estes movimentos do que as grávidas de primeiro filho. Também acontece que as mulheres mais magras sintam os primeiros pontapés do bebé mais cedo do que as mais gordinhas. Por vezes, são confundidos com gazes ou com os ruídos do estômago, mas rapidamente se tornam inconfundíveis. Depois da 28ª semana tornam-se mais frequentes e está na altura de o pai começar a poder senti-los também.

OS ÚLTIMOS DIAS

À medida que se aproxima a data provável do parto, a vigilância médica «aperta» e o suspense é inevitável. Saiba o que a espera na fase final da gravidez e descontraia. Não tenha pressa e goze os últimos dias da sua barriga.

Na fase final da gravidez ocorrem algumas alterações fisiológicas a nível do líquido amniótico e placenta, que podem influenciar o bem-estar do feto. O líquido amniótico atinge o seu volume máximo entre as 32–35 semanas, começando então a diminuir. Trata-se de um processo natural e não de uma «perda de líquido». Atendendo a que o líquido é importante como «almofada» protectora para o bebé e o cordão umbilical, bem como para os movimentos corporais e respiratórios do feto, será importante fazer uma avaliação ecográfica do mesmo a partir da 41ª semana de gestação. Mas mesmo que o seu médico lhe comunique a existência de um nível de líquido amniótico que justifique alguma atitude clínica, isso não significa que o bebé esteja «em sofrimento», mas apenas que ocorreu a natural redução do mesmo!

A placenta é o órgão através do qual o bebé recebe os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento. Ao longo da gravidez sofre também um processo evolutivo de maturação e alterações funcionais, frequentemente designadas por «envelhecimento» da placenta. Trata-se de um processo natural, havendo pequenas áreas em que a função da placenta pode ficar comprometida, particularmente na fase final da gestação.

Caso a gravidez se prolongue para além do termo, isto é, das 42 semanas, pode haver então algum compromisso da nutrição do feto, pelo que é mais um motivo para cuidados especiais de vigilância. No entanto, se toda a avaliação do seu feto se mostrar dentro dos parâmetros esperados, o «envelhecimento» placentar não justifica, por si só, a necessidade de qualquer intervenção. Aliás, o risco que se corre quando a gravidez se alonga é exactamente o do crescimento fetal excessivo, pois o bebé mantém o seu ritmo de progressão de peso por mais tempo.

VIGILÂNCIA MÉDICA

Como se vai proceder nessa fase final da gravidez?

O médico irá fazer uma programação de consultas com maior frequência que até então, para melhor vigilância tanto da grávida como do feto. O objectivo é determinar se o feto tem sinais aparentes de bem-estar ou se, pelo contrário, há necessidade de que o parto ocorra. São vários os métodos que pode utilizar, mas saiba que não existe nenhum que seja 100% sensível e específico para determinar que tudo «está bem» com o seu bebé. Contudo, caso todos apontem parâmetros de normalidade, é altamente provável que tudo decorra normalmente! O momento em que são utilizados pode variar ligeiramente de acordo com o curso da sua gravidez e de centro para centro, existindo habitualmente um protocolo de actuação na fase final da gestação.

Contagem dos movimentos fetais

Apesar de toda a tecnologia existente, a percepção de movimentos do feto e o seu padrão, é muito importante para avaliar o seu bem-estar. E neste caso apenas a grávida pode fazer a avaliação! Assim, na fase final da gravidez ser-lhe-á pedido que faça um registo do momento em que diariamente o seu bebé completa o seu décimo movimento (gráfico que aparece no final do seu Boletim de Gravidez). Mesmo que não faça o registo, aquilo que deve ter em conta é que é natural uma progressiva diminuição dos movimentos fetais na fase final da gestação. Mas caso essa diminuição aconteça de forma súbita, isto é, quase ausência ou ausência de movimentos fetais por um período de horas, deve procurar o médico.

Na esmagadora maioria dos casos, a avaliação que lhe será feita mostrará que não há razão para alarme. Aliás, constata-se frequentemente que essa diminuição de movimentos se deve ao facto de a grávida ter estado mais ocupada durante esse dia, sem tanta atenção aos movimentos do bebé ou mesmo sem cumprir a sua dieta de forma equilibrada! Se foi o seu caso, então sente-se calmamente, tente fazer uma pequena refeição e uma leve massagem na barriga para estimular o feto — frequentemente é o suficiente para perceber algum movimento e ficar menos ansiosa!

Cardiotocografia (CTG)

Este exame efectuado antes do parto vai permitir uma monitorização fetal electrónica dos movimentos cardíacos do bebé, bem como um registo das contracções uterinas. É perfeitamente inócuo para mãe e feto. Dois pequenos aparelhos que são colocados sob o seu abdómen irão transmitir aqueles dados, registados em papel, onde se vai observar a frequência cardíaca do bebé e as suas contracções. Ser-lhe-á também pedido que pressione um botão sempre que há um movimento do feto.

A interpretação do traçado obtido permite avaliar se encontramos um padrão tranquilizador da frequência cardíaca fetal. Quando tal não é o caso, o médico pode sugerir a realização de outros métodos de avaliação, nomeadamente o chamado «teste de stress». Neste caso, ser-lhe-ão induzidas contracções para avaliar qual é a resposta da frequência cardíaca fetal. Com esta prova pode perceber-se, por exemplo, que o feto não parece ter capacidade para resistir ao trabalho de parto, caso «não tolere» as contracções.

Se tudo correr bem, é muito provável que o seu bebé esteja saudável e que as indicações dadas pelo CTG inicial tenham sido enganadoras (lembre-se que não há nenhum teste que seja completamente fidedigno, quer pela positiva, quer pela negativa!).

Ecografia

A realização de ecografia vai permitir avaliar de forma indirecta o volume do líquido amniótico; se este for reduzido, poderá ser-lhe recomendado abreviar a gravidez. Pode ainda ser usada para determinar o chamado «perfil biofísico». Neste caso, é avaliada também a presença de movimentos fetais e respiratórios, sendo atribuída uma pontuação a cada factor; se o somatório for baixo, pode justificar intervenção médica.

E se for preciso induzir o parto? A maior parte das grávidas não chega a necessitar realizar todos estes exames, dado entrar em trabalho de parto até alguns dias após a data prevista. Existem nesta fase algumas formas de estimular o aparecimento de contracções, desde há muito utilizadas, e que, apesar de parecerem um pouco arcaicas, sabe-se hoje que têm justificação científica. A avaliação da evolução das características do colo do útero que o seu médico efectua no final da gravidez, vai levar à libertação de substâncias (designadas prostaglandinas) que participam no processo do parto, particularmente quando consegue estimular a zona entre o seu colo do útero e a bolsa amniótica (vulgarmente designado por «descolamento de membranas»).

Talvez não tão utilizada no nosso país é a massagem na zona do mamilo, que liberta uma hormona causadora de contracções (chamada ocitocina). Após ultrapassada a data prevista para o parto, será mantida vigilância conforme já referimos, ocorrendo a indução do parto apenas caso surja indicação para tal. Neste caso, saiba que quando é decidido que há necessidade de indução do parto, tal não significa que o seu bebé esteja em risco! É exactamente para prevenir essa situação que se vai actuar — trata-se de prudência e não de emergência!

Se a decisão se basear numa redução do volume de líquido amniótico, por exemplo, isso não significa que o feto esteja em «sofrimento», mas sim que precisa de uma atenção especial, particularmente em trabalho de parto, embora na maioria dos casos não haja qualquer complicação, até porque é possível aumentar o líquido do bebé através de um processo de amnioinfusão transcervical (introdução de soro vulgar dentro do útero, substituindo o líquido inexistente, quando o seu colo já apresenta alguma dilatação).

Caso tudo aponte para um curso favorável da gestação, os protocolos de actuação apresentam alguma variação. Nos países do norte da Europa, por exemplo, não se intervém, isto é, não se induz o parto antes das 42 semanas de gestação. No nosso país, é habitual a indução do parto entre as 41 e 42 semanas. Tal é corroborado por alguns estudos, verificando-se com tal atitude uma diminuição dos riscos fetais e maternos, nomeadamente resultantes da macrossomia (feto grande) e necessidade de cesariana, quando comparados com actuação mais tardia.

A GRAVIDEZ E O SEXO

Ao longo da gravidez, há mudanças significativas no comportamento do casal. Umas de carácter psicológico, outras ditadas pelas hormonas da própria gravidez, outras ainda por mera necessidade de adaptação ao aumento de volume abdominal. Embora na vida real não se encontrem divisões rígidas neste assunto, por questões essencialmente didácticas é costume falar-se da sexualidade consoante os três trimestres de gestação.

O primeiro trimestre

Apesar de a figura da futura mãe mudar, regra geral, muito pouco durante o primeiro trimestre, para a mulher essas alterações podem ser sentidas como enormes. Provavelmente, deixa de poder abotoar as calças e as saias mais justas, os soutiens e as blusas deixam de lhe servir no peito. Tanto pode sentir-se orgulhosa da sua pele lisa e brilhante, dos seus seios mais redondos, como se pode achar gorda e feia. As alterações fisiológicas das hormonas podem estar por trás destas diferenças de humor, tal como se considera que sejam responsáveis pela variação dos apetites sexuais. Mas, além destes, há seguramente muitos outros factores em jogo: sociais, religiosos, individuais...

O cansaço e as náuseas esgotam a energia da grávida, podendo reduzir o seu interesse em fazer amor ou mesmo em manifestar o seu afecto pelo companheiro. Muitas mulheres (e homens também) têm receio de que qualquer actividade sexual possa fazer mal ao feto e este medo inibe o relacionamento amoroso entre o casal. Aquelas pessoas cuja função primordial do coito é a procriação, podem sentir escrúpulos em manter a sua actividade sexual, uma vez que ocorreu a concepção. Para algumas mulheres, o novo papel — a maternidade — para o qual se estão a preparar altera o significado do seu relacionamento com o companheiro, a ponto de provocar culpa ou remorso de uma sexualidade satisfatória. Outras mulheres ainda têm medo que as alterações do seu corpo constituam, para o homem, motivo de repulsa e, por isso, temem ser tocadas e rejeitam tudo o que lhes lembre a sua sexualidade. Bem pelo contrário, há mulheres que têm um maior desejo sexual, sentem-se mais eróticas, ou atingem o orgasmo com mais facilidade.

O segundo trimestre

Estes três meses do meio — do quarto ao sexto — são os chamados «meses calmos». A ameaça de aborto espontâneo está, geralmente, ultrapassada. Os primeiros sintomas desagradáveis frequentemente melhoram.

Sem dúvida que a experiência mais arrebatadora do segundo trimestre da gravidez é a mãe começar a sentir os movimentos do seu bebé! Nesta fase, é comum a mulher sentir mais interesse pela relação sexual. Por um lado, muito do desconforto físico — o enjoo, a fadiga, a insónia — melhorou bastante. Por outro lado, há algumas alterações fisiológicas que explicam esta modificação: há uma maior irrigação da área pélvica, tendo como consequências mais lubrificação vaginal e um maior ingurgitamento das áreas erógenas genitais. Durante este período da gestação, muitos casais atingem uma intimidade física preciosa, novos auges sexuais que podem modelar a sexualidade do casal muito para além do nascimento do bebé. No entanto, pode também acontecer, por parte do companheiro alguma dificuldade em lidar com a mudança, agora bem visível, do corpo da mulher amada: os seios tornaram-se volumosos, a cintura desapareceu, o abdómen cresce cada vez mais… A menos que o casal consiga falar abertamente sobre estas questões, a sua vida sexual pode ressentir-se, tanto durante a gravidez como no futuro.

O terceiro trimestre

No terceiro trimestre da gravidez, a mulher geralmente combina sentimentos de orgulho com sentimentos de ansiedade. Orgulho porque a grávida — mais ou menos conscientemente — se sente parte desse princípio feminino, dessa força geradora de vida que, ao longo dos tempos, tem sido o garante da perpetuação da nossa espécie. E ansiedade por antecipação do momento iminente do parto, acontecimento conotado com dor física intensa e a sensação vaga do desconhecido, do incerto...

No que respeita à sexualidade, também não há normas. Tanto pode ser mantida uma actividade sexual intensa, como haver uma interrupção. O volume do abdómen da mulher torna-se um obstáculo à prática de relações sexuais mais conservadoras. Nos casais em que não tenha havido previamente outras formas de expressão sexual (posições lado a lado, a mulher deitada por cima do homem, penetração de costas, etc.) pode haver dificuldade em recorrer a elas no final da gravidez, por constrangimento de uma ou de ambas as partes. Por outro lado, alguns casais temem que a proximidade do pénis possa fazer mal ao bebé, outros que o orgasmo feminino possa desencadear o trabalho de parto antes do tempo adequado.

O ponto de vista obstétrico

Sob o ponto de vista obstétrico, não há razão para se pedir a interrupção das relações sexuais durante uma gravidez com evolução normal. Alguns autores aconselham o casal a abster-se de relações nas últimas quatro semanas antes do parto, por receio de maior incidência de infecções do líquido amniótico e da mortalidade perinatal. Outros estudos não mostram danos ao bebé, nem maior número de complicações obstétricas. Só perante algumas patologias específicas será aconselhada a interrupção da actividade sexual ou, pelo menos, uma penetração menos profunda.

São exemplos: casos de ameaça de aborto espontâneo (ou história desse tipo de aborto em gestações anteriores); placenta baixamente inserida com perdas hemáticas vaginais; encurtamento precoce do colo do útero; contracções uterinas que possam desencadear parto pré-termo (na gestação actual ou em mulheres com história de partos pré-termo). Seja como for, o aconselhamento é sempre individualizado, pois cada gravidez e cada mulher são um caso.

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

Devido à imaturidade física e psicológica, a grávida adolescente constitui em grupo de risco para determinadas complicações obstétricas, tais como: aborto, pré-eclâmpsia, anemia, hemorragia, parto pré-termo. Os filhos de mães adolescentes têm também riscos acrescidos, por exemplo, de baixo peso ao nascer, infecções, mortalidade infantil.

A falta de receptividade evidenciada pelos pais e pela própria sociedade (escola, amigos, etc.) favorece ainda mais as imposições desfavoráveis sobre a adolescente de uma gravidez indesejada. Por diversos motivos, as grávidas adolescentes têm mais tendência para faltar às consultas, para não cumprirem o protocolo de exames habitualmente requisitados, para tomarem de forma irregular os suplementos de ferro e de vitaminas prescritos, para colocarem menos questões sobre a gravidez e o parto, ou, pelo contrário, para reagirem a tudo com uma ansiedade desmedida. Identificar o mais cedo possível a existência de uma gestação numa jovem adolescente nem sempre é fácil.

A tendência costuma ser para a esconder: dos pais, dos professores, dos amigos. E, no entanto, é fundamental que a gravidez se «declare» o mais rapidamente possível: não só para que a adolescente receba atempadamente os cuidados pré-natais, mas sobretudo para a aliviar desse pesado segredo, que de início irá ter dificuldade em partilhar e que vai perturbá-la. Na cabeça de uma adolescente, uma gravidez não planeada representa uma ameaça à sua integridade física: o seu corpo será alvo de modificações acentuadas, algumas das quais conotadas com intenso sofrimento (o parto, nomeadamente). A gravidez alterou-lhe os planos, seja em relação à escola, ao aproveitamento dos tempos livres, à inserção no seu grupo de amigos... O receio de uma malformação do bebé e as dúvidas sobre a sua capacidade para o educar são frequentes. Há também a preocupação pelas despesas acrescidas com as consultas, exames laboratoriais, medicamentos, enxoval do bebé...

Se a jovem pensa em abortar, a angústia tornar-se-á ainda mais devastadora: a par do sofrimento que isso lhe poderá causar, está o medo de será considerada «criminosa». É, por isso, importantíssimo que a adolescente seja encorajada a partilhar os seus receios e encontre da parte da família, dos professores, dos amigos e dos profissionais de saúde uma atitude de compreensão, disponibilidade, linguagem acessível e respeito — embora lhe deva ser pedido, por sua vez, responsabilidade e colaboração.

GRAVIDEZ AOS 40

O mito de que ter o primeiro filho depois dos 35 anos é mais problemático do que se já for o segundo, não passa disso: de um mito! E se, idealmente, as mulheres deveriam começar a ser mães dez anos antes, aos 25 portanto, está provado que depois dos 40 são mais interessadas e muito mais disponíveis.

A partir dos 40 anos, qualquer gravidez é catalogada como «de risco». Seja a primeira, seja a segunda, seja a terceira. No entanto, diz a voz da experiência que as mães depois dos 40 são mais pacientes e mais disponíveis. Em princípio, adiaram a vinda dos filhos por motivos profissionais e, quando estes lhes chegam aos braços, já não se sentem tão ansiosas com o trabalho, ao mesmo tempo que têm já um nível de vida mais estável. Mas a idade, de facto, traz algumas doenças associadas às quais não podemos fugir. É o caso da tendência para a hipertensão, para ter diabetes, para as varizes. Problemas que não só podem afectar a gravidez e o bem-estar da mãe, como provocar malformações nos fetos.

Outra questão que se levanta numa gravidez tardia é a idade dos óvulos. Ora, uma mulher de 40 anos, tem óvulos de 40 anos. Assim como uma de 20 tem óvulos de 20. Quanto mais velhos forem os óvulos, maiores são os riscos de que a divisão dos cromossomas se faça de uma forma irregular, podendo dar origem a várias deficiências, sendo a mais comum a síndrome de Down. De facto, está provado que o risco aumenta com a idade. Aos 20 anos, a probabilidade de ter um filho com síndrome de Down é de 1 para 1.500. Aos 35, esse risco sobe para 1 em cada 380 nascimentos e, aos 40, 1 em cada 100 bebés pode nascer com Trissomia 21. Nada disto significa que as mulheres não devam engravidar depois dos 35 anos. Até porque, e cada vez mais, as mulheres engravidam tarde. Com uma vigilância médica adequada e um estilo de vida saudável, qualquer gravidez de risco pode chegar ao fim sem qualquer tipo de percalço pelo caminho.

MENINO OU MENINA

O desejo de saber o sexo do bebé que vai nascer (ou a vontade de ter um filho de determinado sexo) são tais que, um pouco por todo o mundo e ao longo dos tempos, se desenvolveram técnicas mais ou menos infalíveis para um e outro fins. A acreditar nos mitos das mais diversas culturas, somos forçados a concluir que o sexo do bebé pode ser determinado em qualquer altura da gravidez e, muitas vezes, até antes! Mitos ou não, estas teorias «pouco científicas» dominaram várias épocas e ainda hoje é possível ouvir uma avó ou uma tia mais velha fazer-lhes menção.

Na Grécia Antiga, por exemplo, Aristóteles promoveu a crença de que o testículo direito do homem produzia rapazes e o esquerdo raparigas. Desta forma, os homens que queriam filho varão, eram aconselhados a atar o testículo esquerdo com tanta força quanto lhes fosse suportável. Em casos extremos, alguns chegaram mesmo a mandar retirá-lo, através de cirurgia. No antigo México, acreditava-se que a «essência» do pai ou da mãe determinava o sexo do bebé durante a relação sexual. Assim, a teoria vigente era que, enquanto o casal fazia amor, o útero «abria-se» e uma gota de sangue de cada um dos progenitores caía lá dentro. Se a primeira gota fosse do sangue da mãe, o bebé seria um menino; se fosse do sangue do pai, seria uma menina.

No Bihar, no nordeste da Índia, se uma mulher grávida passa o limiar de uma porta para entrar ou sair de uma sala ou edifício, colocando o pé esquerdo primeiro, acredita-se que ela terá uma menina; se for o pé direito, terá um rapaz. Na Hungria, acredita-se que se uma mulher grávida pretende ter um filho homem, deve colocar sementes de papoila no parapeito da janela da sua casa. Se preferir ter uma menina, deve «polvilhar» o parapeito da janela com grãos de açúcar. Na África do Sul, as mães Zulu dizem que se uma cobra verde ou preta aparecer perto de casa, terão um rapaz.

A aparência da futura mãe também parece dar pistas importantes sobre o sexo do bebé que ela carrega dentro de si. O grego Hipócrates acreditava que o olho e mama esquerda seriam maiores numa mulher que estivesse à espera de uma menina. Já os nativos norte-americanos procuravam pequenas formas de anzóis no branco dos olhos das mulheres grávidas. Se as tais formas estivessem no olho direito, significava uma menina; no esquerdo, um menino. Se se vissem anzóis nos dois olhos, significava que a mulher esperava gémeos, ou que, simplesmente, ela já tinha outros filhos.

Por cá ainda muito se diz acerca da forma da barriga das grávidas: se for tendencialmente «esticada» para a frente, nascerá um menino, mas se for redondinha e abarcar a cintura, é seguro que será uma menina.

A única verdade científica até à data, no entanto, é que se um espermatozóide contiver uma percentagem significativamente mais elevada do cromossoma X, sai menina; se for do Y, sai rapaz. E nem sempre as hipóteses são 50-50… Há espermatozóides que contêm maior percentagem de um do que do outro.

UTILIDADES

- Calendário da gravidez



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